Brasil
Mel: exportações recuam no semestre, mas preço do produto avança
As exportações brasileiras de mel in natura somaram 18,4 mil toneladas no primeiro semestre de 2026, gerando US$ 65,2 milhões em receita. Os dados do Agrostat Brasil mostram uma queda de 3,7% no volume exportado e de 13,5% no faturamento em relação ao mesmo período de 2025.
Apesar da retração nas vendas externas, o preço médio do mel brasileiro subiu 9,4%, alcançando US$ 3,54 por quilo, refletindo a valorização do produto no mercado internacional.
No ranking dos estados exportadores, Santa Catarina assumiu a liderança, com 5,5 mil toneladas embarcadas e faturamento de US$ 19,8 milhões, apresentando forte crescimento em volume e receita. Minas Gerais aparece em segundo lugar, enquanto o Paraná ocupa a terceira posição, com 2.890 toneladas exportadas e receita de US$ 10,1 milhões. O estado registrou queda de 22,6% no volume e de 16,4% no faturamento, mas teve valorização de 8% no preço médio, que atingiu US$ 3,50 por quilo.
Os Estados Unidos permaneceram como o principal destino do mel brasileiro, respondendo por 71,7% das exportações. No entanto, as vendas para o mercado norte-americano recuaram 18,4% em volume e 10,4% em receita no acumulado do semestre. Em contrapartida, países como Canadá, Alemanha e Reino Unido ampliaram significativamente suas compras, enquanto mercados como Filipinas, Polônia e Áustria passaram a integrar a lista de compradores.
O cenário internacional foi marcado por mudanças comerciais importantes. Em fevereiro, uma decisão da Suprema Corte dos EUA reduziu tarifas de importação para diversos produtos agropecuários, favorecendo a recuperação das compras de mel brasileiro, especialmente em junho, quando as exportações para o país cresceram mais de 55% em volume na comparação anual.
Por outro lado, o setor enfrenta novos desafios. A União Europeia anunciou que deixará de autorizar a importação de produtos brasileiros de origem animal, incluindo o mel convencional, a partir de setembro de 2026. Além disso, os Estados Unidos confirmaram uma tarifa adicional sobre parte das importações brasileiras. O impacto para a apicultura, entretanto, foi amenizado pela inclusão do mel orgânico na lista de produtos isentos da nova medida, preservando um importante mercado para os produtores brasileiros.