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Câmara Setorial atualiza cenário da safra, exportações e mobilizações do setor do tabaco

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A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco realizou, nesta quarta-feira, 15 de julho, sua 80ª Reunião Ordinária. O encontro reuniu representantes de diferentes segmentos para atualizar informações sobre a safra 2025/2026, as exportações, as mobilizações institucionais e outros temas de interesse do setor.

Na abertura, o presidente da Câmara e vice-presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Romeu Schneider, destacou a importância do diálogo e do alinhamento entre as entidades. “Esperamos realizar uma reunião proveitosa, que nos permita atualizar os principais assuntos e manter todos os integrantes da cadeia produtiva alinhados. Esse diálogo é fundamental, especialmente após as mobilizações e o intenso trabalho desenvolvido nas últimas semanas, que acreditamos poder trazer resultados positivos para o setor”, afirmou.

O presidente da Afubra, Marcilio Drescher, apresentou os dados atualizados da safra 2025/2026, cuja produção é estimada em aproximadamente 685 mil toneladas nos três estados do Sul — cerca de 620 mil toneladas de tabaco Virgínia, 55 mil toneladas de Burley e 10 mil toneladas de Comum. Enquanto Santa Catarina e Paraná se aproximam da conclusão das vendas, cerca de 20% do Virgínia ainda permanece nas propriedades do Rio Grande do Sul.

Drescher também demonstrou preocupação com a redução dos valores pagos ao longo da comercialização. “No tabaco Virgínia, o preço médio passou de aproximadamente R$ 21 por quilo, em fevereiro, para R$ 15,55 no período mais recente. Essa diferença representa quase R$ 85 a menos por arroba e impacta significativamente a renda das famílias produtoras. Defendemos uma valorização mais homogênea durante toda a safra, para evitar diferenças de tratamento entre os produtores que comercializam em momentos distintos”, ressaltou.

Na sequência, o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, apresentou o cenário das exportações. Após o recorde histórico de US$ 3,4 bilhões registrado em 2025, o primeiro semestre deste ano encerrou com redução de 15% no volume embarcado e de 21% no valor exportado. Segundo Thesing, o desempenho está relacionado à sobreoferta mundial, impulsionada pelo crescimento da produção em países africanos, e à consequente queda dos preços internacionais. O mercado norte-americano também gera preocupação diante da possibilidade de elevação das tarifas de importação. “Diante desse cenário, estimamos que as exportações retornem a um patamar próximo da média histórica dos últimos cinco anos, em torno de US$ 2,5 bilhões. Mesmo com a retração, o Brasil segue atendendo mercados importantes, como Bélgica, China, Indonésia, Estados Unidos, Vietnã e Turquia”, explicou.

As ações de representação institucional realizadas em Brasília foram apresentadas pelo presidente da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (AmproTabaco) e prefeito de Vera Cruz/RS, Gilson Becker. Entre as iniciativas estiveram a participação inédita do setor na Expotchê e a realização de uma arena específica sobre a cadeia produtiva durante a Marcha dos Prefeitos. “A presença em eventos nacionais é fundamental para ampliar o conhecimento sobre a importância econômica e social da cadeia produtiva para além das regiões produtoras. Essas ações permitem apresentar as boas práticas desenvolvidas, debater questões legais e aproximar o setor das lideranças municipais, das entidades nacionais e dos órgãos do governo federal”, destacou Becker.

O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentitabaco), Rangel Marcon, avaliou os resultados dos seminários regionais realizados em Santa Cruz do Sul/RS, Mafra/SC e Rio Azul/PR, que reuniram cerca de 900 participantes. Os encontros envolveram produtores, trabalhadores do campo e da indústria, empresas, sindicatos, entidades representativas e lideranças públicas. “Os seminários cumpriram um papel importante de conscientização e mobilização, mostrando que, além do produto final, existe uma cadeia que gera emprego, renda, exportações e desenvolvimento para centenas de municípios. A união das entidades fortalece a representatividade do setor e amplia nossa capacidade de levar essa realidade ao restante do País”, afirmou Marcon.

O dirigente também informou que foi protocolada, junto à Secretaria-Geral da Presidência da República, uma solicitação para que representantes da cadeia produtiva tenham participação na Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro sobre Controle do Uso do Tabaco e de seus Protocolos (Conicq). A iniciativa busca garantir que produtores, trabalhadores, indústrias e municípios também sejam considerados nos debates e nas decisões que impactam o setor.

Ao avaliar as mobilizações, Schneider ressaltou a necessidade de ampliar o diálogo com instituições e regiões que ainda não conhecem suficientemente a realidade da cadeia produtiva. Segundo ele, a visita à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) representou um avanço nesse processo. “A criação, dentro da CNA, de uma comissão voltada ao acompanhamento e ao apoio da cultura do tabaco abre uma nova possibilidade de inserção do setor nos debates nacionais. Precisamos participar ativamente, oferecer informações e manter a mobilização das entidades e dos municípios produtores. Esse trabalho não pode ser interrompido”, reforçou.

A reunião também abordou a possibilidade de implantação do vazio sanitário para a cultura do tabaco. Os participantes destacaram a necessidade de reunir argumentos técnicos sobre os riscos do cultivo contínuo ao longo do ano, especialmente quanto à permanência e à disseminação de pragas e doenças. A proposta deverá ser aprofundada pelo setor e, posteriormente, apresentada de forma fundamentada ao Ministério da Agricultura, com foco na prevenção de problemas sanitários.

A próxima reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco está marcada para 11 de novembro.

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