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Uso de energias renováveis na avicultura é debatido em audiência pública

Encontro esclareceu dúvidas dos produtores sobre a instalação de unidades fotovoltaicas para reduzir custos da produção na avicultura

 

A Assembleia Legislativa do Paraná promoveu, na manhã da última sexta-feira (10), uma audiência pública para discutir as possibilidades do uso das energias renováveis na avicultura paranaense.

 

 

Comandado pelo deputado Homero Marchese (PROS), o encontro reuniu produtores do setor e representantes do Governo do Estado, que apontaram alternativas ao uso exclusivo da energia elétrica.

 

“O Paraná é o maior produtor de carne de frango no Brasil hoje, com mais de 20 mil aviários. São 4,5 milhões de toneladas produzidas por ano, 33% do total brasileiro. A atividade demanda atenção diária e tecnologia, com temperatura, umidade e oferta regular de alimento e água. Para isso, é necessário o uso de energia 24 horas por dia e os maiores custos do avicultor vêm desta conta”, explicou Marchese.

 

Representando os avicultores, o presidente da Cooperativa dos Avicultores do Noroeste do Paraná (Coopavi), Luiz Flamengo, falou sobre a limitação de 75 quilowatts/hora liberados para unidades fotovoltaicas nas propriedades. “Nosso grande desafio é ter liberdade da geração da energia alternativa em nossos aviários. Demandamos consumo médio de 11 mil quilowatts por mês para conseguir manter dois aviários em uma unidade consumidora de energia”, exemplificou.

 

“O custo da instalação da energia solar diminuiu muito, mas o problema é que o limite para geração é muito grande”, cobrou, salientando que é preciso retirar a limitação, mas sem perder a faixa de baixa tensão. “Se deixarmos de consumir, a Copel pode utilizar a demanda excedente para outros fins”, disse. Luiz Flamengo falou ainda das constantes quedas da energia elétrica por eventos climáticos, que demandam uso de geradores a diesel, além do aumento nos preços das tarifas.

 

 

“Precisamos muito que o Governo do Estado crie uma ação para mudar esta realidade no campo. Temos associados com oito unidades consumidoras e condições de instalar e gerar energia. Precisamos de liberdade para geração e energia acima de 75 quilowatts/hora no horário de pico, sem perder a baixa tensão”, apontou.

 

Custos

 

 

Para o economista Luiz Eliezer Ferreira, técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), os custos da energia elétrica têm inviabilizado a atividade. “No operacional efetivo, a energia elétrica teve aumento de 23%. Ela subiu 48% no custo por lote. No custo total o produtor perdeu muito. Não está havendo sustentabilidade”, explicou. Segundo ele, o fim do subsídio na tarifa rural, no fim do governo Michel Temer, projeta para o final de 2023 a equalização da tarifa rural à tarifa urbana de energia.

 

Neste sentido, Herlon Goelzer de Almeida, engenheiro agrônomo do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) pediu que os avicultores entrem no programa Renova Paraná, do qual é coordenador. “Os produtores têm condições de produzir e se auto abastecer ficando com encargo da tarifa mínima, disponibilidade da estrutura da distribuidora, com no máximo 10% do custo de produção”, afirmou.

 

 

Ainda de acordo com Herlon, os projetos de instalação de unidades fotovoltaicas se pagam hoje, em média, em 38 ou 40 meses. “São investimentos de quem precisa gerar energia própria. Na medida em que os projetos avançam, o avicultor procura as linhas de financiamento que possa tomar. O retorno acontecerá em até 48 meses para linhas de crédito que vão até 120 meses. É um arranjo de altíssima viabilidade econômica”, disse.

 

 

 

De acordo com Anderson Clovis da Silva. Gerente da Engenharia de Medição da Copel, a empresa está liberando ligamentos acima de 75 quilowatts/hora em unidades consumidoras que já existiam antes das solicitações, com base em resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “Desde setembro, a Copel libera as demandas dos aviários em mais de uma unidade geradora”, afirmou.

 

 

Além dessa posição, o representante da Copel informou que o processo de aprovação de projetos (que era de 15 dias) foi automatizado e agora é feito na hora. “Temos recebido solicitações de distribuidoras do Brasil inteiro, todos os produtores têm ganhado com as melhorias do sistema”, complementou.

 

 

Presente à audiência pública, a gerente de licenciamento do Instituto de Água e Terra (IAT), Ivonete Coelho da Silva Chaves, afirmou que a energia limpa, seja eólica ou fotovoltaica, é foco do Governo do Estado com a Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo do Paraná (Sedest).

 

Fonte: Alep

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