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Safra de grãos 2020/21 deve sofrer redução

O Paraná deve produzir 38 milhões de toneladas de grãos na safra 2020/21, em uma área de 10,4 milhões de hectares.

O Paraná deve produzir 38 milhões de toneladas de grãos na safra 2020/21, em uma área de 10,4 milhões de hectares. O volume da produção apresenta uma redução de 8% em relação à safra 2019/2020, apesar de a área plantada ser 3% maior.

Essas informações fazem parte do relatório mensal do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. 

Os números divulgados na semana passada mostram os efeitos da longa estiagem no Paraná, com perdas significativas na segunda safra de feijão e na produção de milho safrinha. “A redução, no caso do feijão, se deve ao frio, às geadas e, principalmente, à falta de chuva quando o grão mais precisava para o seu desenvolvimento”, explicou o chefe do Deral, Salatiel Turra.

Além do Paraná, os estados de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais também apresentaram redução na estimativa de produção. De acordo com o secretário Norberto Ortigara, a perda significativa da produção de milho safrinha quase compromete o abastecimento e vai exigir das indústrias mais dinheiro para bancar o custo, viabilizando a importação de milho para o suprimento interno.

De acordo com Edivan José Possamai, coordenador estadual do Projeto Grãos Sustentáveis do IDR-Paraná, apesar das adversidades climáticas as lavouras de soja no estado conseguiram manter uma boa produção. Para o engenheiro agrônomo, o problema mais sério é com o milho segunda safra. “Tivemos um período de estiagem do desenvolvimento inicial até o florescimento das culturas. Então teve essa queda da produção total de grãos no estado”. No entanto, Possamai acredita que haverá uma compensação para o agricultor com os bons preços que podem garantir a rentabilidade das lavouras. Por outro lado, isso pode preocupar um pouco pelo abastecimento do mercado interno de milho. “Temos a previsão de geadas no estado, que deve reduzir a produtividade do milho safrinha, tendo em vista que muitas lavouras estão na fase de formação e enchimento dos grãos. Isso significa que poderemos ter mais uma revisão para baixo da produtividade do milho segunda safra no estado do Paraná.“

Os números divulgados na semana passada mostram os efeitos da longa estiagem no Paraná, com perdas significativas na segunda safra de feijão e na produção de milho safrinha. Foto: pixabay

Feijão

Até o momento, a produção de feijão, segunda safra, está estimada em 270,6 mil toneladas, com uma quebra de 46% com relação à estimativa inicial, que era de 501 mil toneladas. As maiores concentrações de perdas estão nos núcleos regionais de Pato Branco, Ponta Grossa, Francisco Beltrão, Guarapuava, Laranjeiras do Sul e Cascavel.  A falta de chuvas durante o ciclo vegetativo e as baixas temperaturas em maio influenciaram esse resultado. Ainda de acordo com o levantamento do Deral, cerca de 57% das lavouras estão em condições consideradas ruins, 25% em condições médias e 18% em boas condições. 

Milho 

A produção de milho, segunda safra, está estimada em 9,8 milhões de toneladas, 19% a menos do que o Estado colheu no ciclo 2019/2020. Houve quebra de aproximadamente 4,9 milhões de toneladas em relação à produção inicial esperada. A perda percentual é de 33%.

Cerca de 1,8 milhão de toneladas dessa quebra, 37% da perda total do Estado, corresponde à região Oeste, principal produtora. “Na região Norte, segunda maior área do Estado, como as lavouras se desenvolveram um pouco mais tarde, talvez haja a possibilidade de recuperação”, explica o analista de milho do Deral, Edmar Gervásio. Segundo ele, a partir do próximo mês esses números devem ser mais exatos.

Atualmente dos 2,52 milhões de hectares plantados, 26% têm boas condições, enquanto 41% apresentam situação mediana e 33% condições ruins. Com relação à área, a expectativa aponta para 2,5 milhões de hectares, 10% a mais que na safra passada.

Trigo

O reajuste positivo da área de trigo no Paraná é uma boa notícia. “Se o clima favorecer, o plantio pode ser um pouco maior do que se imaginava. Isso pode garantir um suprimento interno um pouco maior, cooperando assim para a redução das importações”, disse o secretário Norberto Ortigara.  Cerca de 92% da área de trigo já foi plantada e 95% das lavouras estão em boas condições. A previsão é que o estado produza 3,9 milhões de toneladas, um aumento de 21% sobre a safra 2019/2020. A área está estimada em 1,18 milhão de hectares, um aumento de 4% sobre a safra 2019/2020. O plantio do trigo segue sem complicações e deve se encerrar em julho. 

Soja

Quanto à produção de soja, primeira safra, os técnicos do Deral apontam uma redução de 5% em relação ao ano passado e 4% inferior à estimativa inicial, de 20,7 milhões de toneladas. A seca e o atraso no plantio foram as principais causas dessa redução. Devem ser colhidas 19,79 milhões de toneladas em uma área de 5,6 milhões de hectares. Essa área é 2% superior à da safra 2019/2020. 

Devem ser produzidas 85,8 mil toneladas na segunda safra de soja, que é reduzida e destinada principalmente à produção de sementes. O volume é 4% menor que o do ciclo 2019/2020 e a área, estimada em 38,8 mil hectares, é 2% menor.

Cevada

O plantio da cevada atingiu 78% da área na semana passada no estado. Para a safra 2020/2021, as estimativas do Deral indicam uma área total de 71,5 mil hectares, crescimento de 12% comparativamente ao ciclo anterior, e produção de 327,2 mil toneladas, 20% maior. O índice de comercialização está em 30%.

Estima-se um crescimento expressivo da área com cevada nos próximos cinco anos nas regiões de Ponta Grossa e Irati impulsionado pela instalação de uma nova maltaria, em Ponta Grossa. 

Café

Nesta safra devem ser produzidas 52,6 mil toneladas de café no Paraná, 10% a menos que na safra passada, em uma área de 33,3 mil hectares, 4% menor. Atualmente, os produtores paranaenses de café têm uma rentabilidade positiva, com preços que cobrem os custos de produção, cenário bem diferente ao de anos anteriores. 

Mandioca

A previsão é que os produtores paranaenses colham 3,35 milhões de toneladas de mandioca, 4% a menos do que na safra passada, em uma área de 142,6 mil hectares, também 4% menor.  A concorrência com o plantio de soja e milho foi a principal causa da redução da área com mandioca no estado. Se em abril e maio, a seca prejudicou a colheita da mandioca e elevou os custos de produção, a volta das chuvas em junho permitiu a normalização da atividade e, consequentemente, fez crescer a oferta de matéria-prima para as indústrias de fécula e de farinha. Segundo os técnicos do Deral, a tendência é de que os preços se mantenham estáveis nos próximos meses.

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