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Rebouças cria projeto de produção de ovos

O objetivo é aumentar a renda das famílias agricultoras do município com a produção, e venda de ovos a partir do sistema free range

 

Com o objetivo de diversificar a renda de famílias agricultoras, Rebouças implantou um projeto de produção de ovos caipiras através de um modo diferente de manejo desses. Inicialmente 21 famílias foram incluídas, recebendo cada um o total de mil galinhas, ou seja, o projeto distribuiu 21 mil aves, depois, houve mudanças com o aumento de aves em algumas propriedades e a desistência de alguns participantes.

 

De acordo com secretário municipal de agricultura, meio ambiente, desenvolvimento e serviços rurais, Laércio Antonio Cipriano, esse é um projeto piloto, no entanto, houve grande investimento. “Nós gostamos da ideia, analisamos outras regiões onde poderia dar certo, olhamos o mercado. A gente construiu um barracão com investimento do município para que a empresa pudesse se alojar e construir o classificador de ovos”, explica. Esse incentivo, segundo o secretário, ocorreu com o compromisso de geração de cinco empregos diretos  e o atendimento às 21 famílias produtoras de ovos

 

Entretanto, houve mudanças e hoje ele está diferente do que foi proposto. A empresa parceira decidiu aumentar a quantidade de galinhas por propriedade, e os produtores que aceitaram, continuaram no projeto. “São em torno de oito, e os outros produtores a gente fez um novo projeto com uma nova parceria”, explica.

 

Para atender os produtores remanescentes foi feita uma parceria com uma cooperativa de agricultura familiar do município. “Então a gente tem dois projetos. Tem a questão da integradora que o município ajuda, que são oito produtores e tem mais nove que estão produzindo de forma autônoma, mas com ajuda e parceria que nós temos da prefeitura”. 

 

As galinhas recebidas pelas famílias são pagas pelos próprios produtores através da compra de ração. Conforme Laércio, é embutido um valor no preço da ração para que seja pago às galinhas. 

 

Segundo o secretário, hoje o projeto está buscando construir uma marca para chegar a novos mercados. “Depois que a gente tiver essa marca, desse produto nosso mesmo, a gente vai agregar valor e a gente está trabalhando nisso”. A avaliação é de que apesar de todas as mudanças, do preço da ração e da pandemia, hoje o projeto está na sua melhor fase, com possibilidade de aumento de aves por parte da integradora e dos próprios produtores independentes. 

 

“Nós estamos vendendo bastante, a cooperativa está vendendo bastante ovos e esperamos que daqui para frente só aumento, que os produtores tenham mais lucros e que a gente possa consolidar de vez esse projeto”, garante.

 

ASSISTÊNCIA TÉCNICA

 

As famílias produtoras atendidas recebem assistência técnica da secretaria de Agricultura semanalmente, a cada 15 dias ou conforme a necessidade  em cada aviário. Eles recebem auxílio antes mesmo das aves serem alojadas na propriedade. A prefeitura também entra com a responsabilidade técnica e o transporte dos ovos. “É a diminuição de custos, então com isso aumenta com certeza sua rentabilidade nesse produto”, diz Laércio. 

 

A médica veterinária Daiane Leal é quem presta apoio técnico e explica que o acompanhamento garante que as galinhas estejam bem cuidadas, além de manter uma relação de amizade e confiança com os produtores.

 

“Esse contato com o produtor é muito importante. A gente troca muitas ideias de produtos naturais, de chás, de métodos de manejo que possam colaborar tanto para as aves, quanto para  os produtores também. A gente tem isso de conversar sobre medicamentos naturais, orgânicos que ajudam esse produtor a estar melhor, psicologicamente falando, para conseguir lidar melhor com essas aves e fazer com que o lote seja mais tranquilo, que seja uma boa produção”. 

 

O sistema utilizado neste projeto é o free range, um método completamente oposto do sistema de gaiola, em que há um confinamento intensivo das aves até o final da vida produtiva. “É muito usado por ser possível alojar um grande número de aves e controlar a proliferação de doenças”, aponta Daiane sobre as gaiolas.

 

Colocado como o mais próximo de uma criação caipira, o free range garante diversos benefícios às aves e uma melhor produção. Nele as galinhas têm acesso a piquetes e ficam soltas. Com isso, conseguem se alimentar de nutrientes adversos fora do galpão e que faz com que os ovos apresentem alterações, tanto na textura, quanto na coloração da gema e da casca. 

 

No piquete ela consegue expressar comportamentos naturais, como tomar banho de areia, subir em árvores, arbustos. É como se ela estivesse no habitat natural dela, o que garante a médica veterinária. “O free range não reprime os extintos das aves, que é de se movimentar, de ciscar, de alçar pequenos voos, de abrir as asas”, explica Daiane. Neste sistema, o produtor controla a quantidade de ninhos, alimentação, espaço no galpão para não ter competição e incidência de doenças. Isso garante o bem estar da ave. 

 

 

PRODUTORA

 

A produtora Edineia Kalinoski é moradora da localidade Poço Bonito e é uma das atendidas e tem quase mil aves na propriedade. A granja foi colocada para a filha, mas depois, Edineia acabou assumindo.

 

Ela comenta que o auxílio técnico fornecido pela secretaria de Agricultura é essencial. “Ajuda bastante, qualquer coisa que dê errado com as galinhas, sobre doença ou produção,eles já estão aí, dando assistência para não deixar cair a produção”.

 

O desejo é de investir em um classificador, já que esse é mais um custo de produção feito de forma terceirizada, mas no momento ela considera inviável. “O preço da ração está muito alto”, comenta, reiterando que no futuro pretende aumentar a produção.

 

A venda da produção é feita pela cooperativa da qual Edineia faz parte.“O pessoal da prefeitura e da cooperativa vem pegar, coletar os ovos, levar para o classificador e através da cooperativa é vendido para as escolas, no comércio e na Ceasa”, finaliza. 

 

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Texto: Daiara Souza

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