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Produtor rural, conheça alternativas para enfrentar a crise hídrica

Confira a entrevista exclusiva com analistas do Sistema Fae/Senar/PR sobre como a crise hídrica pode afetar a produção rural

 

A falta de chuvas, ou a chuva em pouca quantidade está afetando a vida de todos os brasileiros. Entretanto, o produtor rural pode acumular o prejuízo deste evento climático de formas diferentes.

Primeiro, ao acumular perdas ou ainda, ter uma baixa produção em função da seca. E em segundo, ter um aumento significativo na conta de energia em razão da crise hídrica pela qual o país está passando.

Para saber como os agricultores e pecuaristas podem trabalhar com esses problemas, sem contabilizar um prejuízo ou minimizá-los, o Boletim AgroRegional conversou com analistas do Sistema FAEP/Senar-Pr.

De acordo com a analista do Departamento Técnico-Econômico do Sistema, Ana Paula Kowalski, para minimizar o efeito da falta de chuvas na lavoura, o produtor deve fazer um planejamento de manejo. “Quando a gente fala da produção de grãos que é o foco da maioria dos estados, que é uma produção que depende da disponibilidade de chuvas nos momentos certos para que as plantas possam se desenvolver, é importante que o produtor saiba a reserva hídrica do solo dele, ter um acompanhamento mínimo das chuvas que ocorreram, se o solo está com uma umidade adequada para começar o plantio”, aponta.

Segundo Ana Paula, a Safra de Verão deve enfrentar o fenômeno climático La Ninã, que tradicionalmente traz uma irregularidade de chuvas. “É importante que para semeadura o produtor tenha uma umidade do solo adequada, para que a planta germine bem e tenha essa garantia de reserva hídrica”, explica.

A analista destaca o sistema de plantio direto, que é um sistema consolidado no Paraná. “Ele tem a palhada no solo que minimiza esses efeitos da falta de chuvas, que conserva melhor a umidade do solo e melhora a estrutura como um todo”.

Irrigação

Para quem pensa que a falta de água na lavoura pode ser resolvida com um sistema de irrigação, deve-se saber que não é tão simples assim e nem rentável para qualquer tipo de cultura. Ana Paula explica que não é viável para culturas em larga escala, como soja, trigo e milho, já que requer grande investimento em equipamentos e conhecimento para controle no fornecimento de agua para as plantas. Além disso, estamos em um período de até mesmo racionamento em algumas regiões do estado. 

A orientação da analista é que o agricultor busque assessoramento técnico em meios públicos ou privados. Uma dica é as capacitações gratuitas oferecidas pelo Senar/PR, com cursos direcionados para manejo do solo que é essencial para esses períodos de seca. 

Energia

Os impactos da escassez de chuvas afetam diretamente a distribuição e o preço da tarifa de energia. No campo, a depender da atividade da propriedade, esse aumento pode ligar um sinal de alerta nos custos de produção.

“Na agropecuária algumas atividades são mais intensivas no uso de energia elétrica. Atividades como: avicultura, pecuária de leite, aquicultura e suinocultura têm a energia elétrica entre seus principais custos de produção, a participação da energia no desembolso do produtor gira entre 9% e 29% a depender da atividade”, explica o analista de economia do Sistema Faep/Senar/Pr, Luiz Eliezer Ferreira

Ferreira garante ser difícil o produtor conseguir efetivamente economizar energia nestas atividades.  O frango, por exemplo, pode morrer rapidamente caso não tenha uma climatização adequada. A mesma situação ocorre com os peixes em a aeração. Em um exemplo simples, podemos citar o leite, que sem resfriamento também pode estragar. 

Investimento em energia renovável é uma saída

A atual crise hídrica está impactando fortemente os custos de produção da agropecuária, assim como o orçamento das famílias. Para Luiz, o atual cenário acendeu um alerta para o setor produtivo. “Além da crise hídrica, a redução de benefícios tarifários também impactou o aumento do custo de produção, algumas atividades estão com a viabilidade econômica ameaçada”.

O analista vê o investimento em energias renováveis como uma alternativa para mitigar os aumentos, além trazer sustentabilidade energética para sua atividade .

“A geração de energia elétrica a partir da fonte solar vem apresentando ótima viabilidade econômica, além de outras vantagens, como a fácil instalação e o sistema de compensação de energia a partir da geração distribuída, ou seja, o produtor gera sua própria energia de forma limpa, segura e de baixo custo”, explica, reiterando um bônus nesse investimento. “O excedente da produção de energia é injeta na rede da distribuidora, o que posteriormente vira desconto na conta de luz”.

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