Notícias

Produtor de kiwi fala sobre a produção da fruta em Fernandes Pinheiro e Irati

Fruta com características bem peculiares, o kiwi demanda vários cuidados para que chegue em boa qualidade ao consumidor

Eugênio conta com a ajuda do casal Edilene e Esmeraldo, que estão há 10 anos na atividade

 

Com mais de 30 anos de experiência na produção de kiwi, Eugênio Demczuk é um grande conhecedor da fruta e mantém duas propriedades com pomar, uma na localidade de Queimadinhas em Fernandes Pinheiros e outra na comunidade de Pirapó, em Irati.

 

O cultivo do kiwi começou no início da década de 1980, mas como explica Eugênio, levou um tempo para que o lucro começasse a aparecer. Para trabalhar com esta fruta é preciso paciência em relação ao retorno financeiro, mas depois, ele acaba sendo um bom negócio para o fruticultor.

 

Logo na primeira tentativa de cultivo, Eugênio teve prejuízo por não saber tanto sobre as necessidades da planta. Após uma geada ele perdeu os 400 primeiros pés, no entanto, não desistiu e hoje conta com 1300 deles. “É um investimento a médio prazo. Com dez anos um pé [da fruta] já te da resultado”, conta Eugenio enquanto mostra um dos pés de kiwi da sua propriedade em Fernandes Pinheiro. “Eu resolvi continuar, imaginei que seria um bom negócio para o futuro. O Brasil produz 10, 15% do que consome. O resto é importado. Então é uma fruta que vai ser comercializada sempre”, destaca.

 

PRODUÇÃO

 

Há mais 10 anos trabalhando com Eugênio, o casal Edilene Maria Neumann Castanho e Esmeraldo Castanho também adquiriram uma vasta experiência em relação à fruta. Eles contam quais os principais pontos para se ter uma boa produção. 

 

Em julho eles realizam a poda dos pés, uma etapa essencial, como diz Edilene. “Para você ter uma boa produção, tudo depende da poda. Se você não fizer uma poda correta, você não vai ter produção. Tem que procurar deixar ramos novos. Se não vai virando muita madeira e ele não produz”, explica. 

 

Outra atividade importante na rotina é a quebra de dormência. Por ser uma fruta que gosta do frio é preciso passar por esta fase. E quando não há isso de forma natural, é necessário o uso de produtos.  “Na verdade, depois da poda ele fica descansando uns meses e depois você faz a quebra de dormência. A gente passa um produto pra ele brotar tudo de uma vez só. Se não, o macho brota antes, ou a fêmea antes e se perde a polinização. E tem a época certa para se fazer”, comenta Esmeraldo.

 

COLHEITA

 

Até mesmo no momento de tirar a fruta do pé se tem muitos cuidados. Antes de iniciar a colheita, Eugenio faz a medição do brix do kiwi, que aponta a quantidade de açúcar e de acidez na fruta. Para isso ele usa um refratômetro, equipamento que realiza a medição a partir do suco do kiwi. Estando dentro do número desejado, a fruta é colhida e encaminhada para a climatização, já que ela não madura no pé, com exceção do tipo amarelo. “Além de colher, você precisa climatizar ele com o mesmo produto que se usa para madurar a banana. Depois de passado na máquina, escovado, tirado esses pelinhos, daí vai para climatizar. Dali três, quatro dias que ele vai ficar pronto para comer”, explica o produtor Eugênio sobre o processo.

 

A  temperatura durante a climatização na estufa não pode passar dos 22º C, caso contrário, o kiwi pode cozinhar. O sabor da fruta depende da execução correta dessas etapas.

 

PROBLEMAS

 

Como todo cultivo, o do kiwi também apresenta suas dificuldades, e uma delas, na visão de Eugênio, é o secamento de pés da fruta. Segundo ele, ainda não há uma resposta do porque isso ocorre. Ele aponta que por algumas vezes o pé mesmo carregado da fruta acaba morrendo. “Nós já mandamos para laboratório raiz, galho, tronco e não foi descoberto o que causa o problema de secar”.

 

MERCADO

 

“Ano passado faltou fruta [para venda]”, comenta Eugênio ao falar sobre a comercialização dokiwi. De acordo com ele, o mercado da fruta é muito bom justamente pela demanda. As frutas produzidas nas propriedades de Eugênio são comercializadas com empresas do ramo alimentício, Ceasa e com redes de supermercados dentro e fora da região.

 

Com um bom retorno após tantos anos de trabalho na fruticultura, ele incentiva que outros produtores iniciem o cultivo.  “Podem investir que é um bom negócio. O que custa mais caro é a estrutura para você fazer. Você fez a estrutura, é uma das frutas mais naturais que tem. Não vai veneno, vai adubação, nutriente, mas pulverização por causa de bicho não vai”, finaliza.

 

 

Texto: Daiara Souza

Comentários

Quer ficar por dentro de todas as notícias? Entre no nosso grupo do whatsapp: