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Produtor de Ivaí deixa a cultura do fumo para cultivar morangos

O produtor de Ivaí aumentou seu rendimento, diminuiu a carga de trabalho e reduziu em 90% o uso de agrotóxicos

 

Durante dez anos Diogo Manosso, produtor de Ivaí, trabalhou com a cultura do fumo. Mas o desejo de lidar com a produção de alimentos, livrar-se da exposição a defensivos agrícolas e sair do mercado restrito às indústrias tabageiras levaram o produtor a buscar uma nova atividade. O caminho foi longo e nesse tempo o agricultor descobriu sua vocação: produzir morangos.

 

 

Atualmente Manosso mantém uma clientela fiel. A propriedade, localizada na vila Bom Jardim do Sul, nem lembra os tempos quando o tabaco era a principal atividade. O produtor aumentou seu rendimento, diminuiu a carga de trabalho e reduziu em 90% o uso de agrotóxicos. Os desafios não terminaram e Manosso se prepara para adotar o sistema orgânico e conquistar novos mercados.

 

O segredo do sucesso de Diogo Manosso foi, sem dúvida, seu empenho, determinação em mudar de vida e assistência técnica de qualidade que serviu de apoio para todas as decisões tomadas pelo produtor. De acordo com o engenheiro agrônomo Raphael Branco de Araújo, do IDR-Paraná de Ivaí, quando o agricultor lidava com a produção de fumo já recebia assistência esporádica da Extensão Rural, pois mantinha o plantio de olerícolas e morango na propriedade. “Mas o cultivo era rudimentar. Foi nessa época que identificamos o potencial do Diogo e o levamos a questionar se a produção de fumo era mesmo vantajosa. O produtor, mesmo sendo contador da Codesaf (Cooperativa de Desenvolvimento Sustentável da Agricultura Familiar de Ivaí), nunca tinha feito as contas do que gastava e ganhava com a atividade. O ponto de virada foi quando o Diogo organizou a gestão da propriedade e verificou o que estava dando lucro e qual trabalho realmente compensava”, observou Araújo.

 

 

Mais lucros

 

 

 

No entanto, mudar de atividade não é uma decisão fácil, mesmo que as contas no fim de cada mês mostrem o caminho mais adequado. Foi o que aconteceu com Manosso.

 

 

“Por quatro anos conciliei o cultivo de fumo e morango, mas eu queria mais qualidade de vida. Tabaco não é alimento e tem um mercado muito fechado com as tabageiras. Em 2013 fiz o primeiro plantio de morango, num projeto com a prefeitura e comecei a buscar assistência técnica para produzir melhor. Em 2015 fiz contato com a antiga Emater (hoje IDR-Paraná). Eu fazia o cultivo no chão que demandava muito esforço físico. Tinha que ficar agachado para fazer o manejo e a colheita. Fui aconselhado a fazer o plantio suspenso por facilitar o trabalho e garantir produção durante boa parte do ano”, contou Manosso.

 

 

 

O produtor começou com dois mil pés de morango. Em 2020 abandonou definitivamente o tabaco e hoje as estufas da propriedade acomodam 25 mil plantas.

 

 

Manosso usa produtos biológicos para combater as pragas e doenças. Além disso, orientado pelo IDR, o agricultor adotou o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e o Manejo Integrado de Doenças (MID). Com isso o uso de agrotóxicos foi reduzido em 90% e a produção chega a 20 toneladas de morango por ano. Cerca de 80% dessa produção vai diretamente para supermercados da região. Os 20% restantes abastecem padarias e alguns consumidores que compram do produtor.

 

 

Parceria

 

 

 

O produtor não tem motivos para se arrepender da decisão de trocar o fumo pelo morango. Até 2017, aquando lidava penas com o tabaco, o produtor tinha uma renda anual de R$ 124.000. Atualmente, cultivando morangos em um terço da área, Manosso obtém uma remuneração anual de R$ 183.000.

 

 

 

De acordo com Manosso a Extensão Rural teve um grande papel na mudança do perfil de sua propriedade. “O IDR-Paraná é um super parceiro. Foi fundamental para eu conseguir fazer os projetos de custeio das estufas de morango via Pronaf. Fui um dos primeiros a conseguir financiamento para custear e investir na cultura do morango no município. Com a assistência técnica também aprimorei e aumentei a produção. Hoje temos uma vida mais confortável, melhor condição financeira e consigo fazer um pé-de-meia para investir na propriedade. Antes, na correria, não levava as despesas na ponta do lápis. Hoje tenho noção do custo fixo e da despesa variável para manter um bom faturamento líquido”, comemora Manosso.

 

Na opinião de Araújo, o trabalho da Extensão Rural é limitado pela disposição do produtor. “Apesar de a assistência técnica ser transformadora, ninguém faz nada se o agricultor não quer. Nosso trabalho é dar um suporte ao produtor, dar sugestões. E o Diogo sempre esteve aberto ao diálogo, a novas tecnologias. Isso faz toda a diferença”, afirmou Araújo.

 

 

O cultivo de morango de Manosso ocupa 2,5 mil metros quadrados. Mensalmente ele recebe a visita dos extensionistas do IDR-Paraná que fazem o acompanhamento da propriedade. Para lidar com o plantio, o produtor mantém dois funcionários. Ele também criou uma marca, a Hortifruti Manosso, e está investindo no cultivo de hortaliças como brócolis, tomate, cebola abobrinha e pepino para conserva.

 

 

 

Por enquanto Manosso não pensa em expandir a área de cultivo, já que ele depende de novos contratos de compra. A intenção é aprimorar a produção e melhorar a qualidade dos seus morangos. No próximo ano, o produtor deve iniciar a transição para o sistema orgânico, começando pela produção de mudas. Assim, com cautela, Diogo Manosso está se tornando exemplo para outros produtores. Junto com a esposa Diana ele está construindo o futuro de seus dois filhos, apostando numa agricultura mais sustentável.

 

 

Fonte: Roberto Monteiro/ IAT-PR

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