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Produção de leite diminui no Paraná em razão das condições climáticas

Produtores de Palmeira, Castro e Ponta Grossa, onde há mais tecnologia, os impactos devem ser menores

A produção leiteira paranaense tem caído devido à conjuntura atual de estiagem e aumento dos custos de produção. Nas principais bacias leiteiras do Estado, Sudoeste, Oeste e Centro-Oriental, a situação é a seguinte:

 

As pastagens encontram-se em péssimas condições devido à estiagem de quase 60 dias, sem chuvas generalizadas pelo Estado, fator que diminuiu a oferta de alimentos para as vacas leiteiras. Isso, aliado à alta dos custos com a alimentação, ocasionou uma redução na oferta.

 

Além da estiagem, a atual época é de transição de pastagens. As forrageiras de verão já se encontram em final de produção e inicia-se o plantio das espécies de inverno: aveia e azevém. Entretanto, devido à seca, não foi possível o plantio das pastagens na época certa (fim de março a início de maio), o que certamente irá, mais uma vez, ocasionar falta de alimentação para os rebanhos. As dificuldades não aconteceram somente na implantação das pastagens.

 

REFLEXO DA ESTIAGEM NO MILHO

As lavouras de milho safrinha destinadas à produção de silagem também não se desenvolveram devido ao déficit hídrico, e muitas não servirão de alimentação para o gado. Este será mais um fator de aumento nos custos de produção, pois, sem silagem, os produtores terão que adquirir a dieta dos animais a custos elevados, principalmente devido às altas do milho e soja. Além dos fatores já citados, algumas regiões encontram dificuldades no fornecimento de água para os animais, situação em que os produtores estão tendo que usar estratégias como montar bebedouros e trazer água de fora da propriedade.

 

Região Central, onde estão Palmeira, Ponta Grossa e Castro, a situação é mais confortável, justamente pelo maior uso de tecnologias de produção e sistemas intensivos, possibilitando que a dependência do pastejo a campo seja muito pequena. Nessa região os produtores trabalham com alimentação estocada, de boa qualidade e produzida na propriedade (o que diminui os custos), e não têm sido verificadas maiores alterações na produção dos rebanhos, mesmo em tempos de estiagem.

 

Além disso, não existem registros de abates de animais leiteiros fora do normal ou produtores abandonando a atividade. Atualmente, o único problema é o atraso no plantio das forragens de inverno devido à seca. Entretanto, com as chuvas dos últimos dias, a implantação das pastagens deve se intensificar até o final de maio.

 

SITUAÇÃO DOS PRODUTORES

Com os preços do leite em queda, diminuição da produção e custos se elevando, muitos produtores (principalmente os menores), que dependem de alimentação comprada e em sistemas em que a base da alimentação é a pastagem, estão reduzindo seus rebanhos e, em alguns casos, até abandonando a atividade. Muitos destes têm substituído a produção leiteira por atividades mais rentáveis no momento, como a pecuária de corte e o plantio de soja, mesmo que em sistema de arrendamento.
Não são raros os casos em que produtores descapitalizados abatem suas vacas de leite a valores expressivos, na intenção de geração de renda para a manutenção da propriedade.

 

PREÇOS EM QUEDA

Segundo os preços levantados pelo Deral, a média do valor recebido pelos produtores no Estado do Paraná, em abril de 2021, foi de R$ 1,86, ou seja, 8,8% a menos do preço registrado em janeiro do mesmo ano (R$ 2,04). Entretanto, a situação de menor produtividade já exposta pode diminuir a oferta e elevar os preços gradativamente com o avanço da entressafra. A cotação na semana entre os dias 03 a 07 de maio foi de R$ 1,90, com alta de 3,7% sobre o valor de abril, o que já reflete uma tendência de futura alta.

 

Fonte : Deral

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