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Preços históricos, seca e geadas “pintaram” 2021 no mercado de café

A transição de um ano de safra recorde para outro de forte quebra na safra do Brasil serviu de impulso inicial aos preços internacionais de café, particularmente para o arábica

 

O ano de 2021 foi, sem dúvidas, histórico no mercado brasileiro e internacional do café. As cotações bateram marcas nunca alcançadas, ou há muito não atingidas, aqui e lá fora. Em meio à pandemia, o café balançou nas bolsas de futuros, sobretudo de Nova York, conforme o humor dos mercados e das oscilações do dólar. E subiu com as preocupações com a oferta, sobretudo com a falta de chuvas e geadas no Brasil, e os problemas com a logística.

 

A transição de um ano de safra recorde para outro de forte quebra na safra do Brasil serviu de impulso inicial aos preços internacionais de café, particularmente para o arábica, comenta o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach. “A forte estiagem, especialmente entre os meses de abril e maio, seguida da geada em julho no Brasil, potencializou esses ganhos. Já o gargalo logístico internacional gerou problemas no abastecimento, por conta da falta de contêineres, espaço nos navios e disparada do rete, o que acabou reduzindo os estoques junto as indústrias e também contribuiu para alta no preço do café”, avalia.

 

O café acabou disparando na ICE US (Bolsa de Nova York). A 2ª posição de café arábica em NY saiu de 130 cents ao final de 2020 e chegou a trocar e mãos acima de 252 cents ao longo de 2021 (+94%). Alcançou o maior patamar em 10 anos, lembra Barabach. Observa que, mesmo depois de uma ligeira acomodação, ainda foi indicado a 233 cents nesta última quarta-feira (22), alta de 79%. “E com essa performance o café acabou se destacando positivamente frente a outras commodities, superando com folga os ganhos no índice CRB (+35%) e no petróleo WTI (+51%)”, pontua.

 

Barabach indica que o dólar, que poderia servir de contrapeso negativo, teve um ano de 2021 de grande volatilidade e firmeza. A moeda norte-americana mostrou força frente aos seus pares, especialmente as moedas emergentes. “A fragilidade fiscal interna e a depreciação dos indicativos econômicos no Brasil contribuíram para a perda de valor da moeda local”, aborda. Assim, o dólar saiu de R$ 5,19 ao final de 2020 para R$ 5,67 no último dia 22, sustentando ganhos de 9%. No pico do ano a moeda norte-americana chegou a trocar de mãos a R$ 5,87 (março), lembra o consultor.

 

No Brasil, o rally na ICE e o dólar firme deram suporte aos preços internos de café, destaca o consultor. O arábica de bebida boa no Sul de Minas saiu de R$ 590,00 a saca no final de 2020 para os atuais R$ 1.415,00 a saca, uma escalada de 140% em valores nominais. Em valores deflacionados pelo IGP-M, o patamar de preço atual é o mais alto desde dezembro de 1999. “Isso quer dizer o poder de compra de uma saca de café é o mais alto em 22 anos. Mesmo com o custo de produção bem mais elevado, o ano de 2021 foi histórico e extremamente positivo para o produtor”, resume Barabach.

 

Importante destacar que o produtor soube dosar a oferta e não ficou numa “retranca sem fim” para a venda. O cafeicultor aproveitou movimentos de alta na bolsa e dólar e foi vendendo seu café no mercado disponível e fazendo também vendas futuras a preços cada vez mais elevados. Mas é importante também dizer que os problemas climáticos travaram as vendas em muitos momentos, sobretudo as vendas da safra futura. Isso porque a safra do próximo ano do Brasil está comprometida, pela seca e geadas, e o produtor tem dúvidas de quanto conseguirá colher.

 

Muitos produtores e lideranças da cafeicultura lamentam as perdas produtivas serem tão severas no próximo ano que não adianta os preços estarem tão elevados com o cafeicultor devendo colher pouco em 2022.

 

 

Fonte: Agência Safras

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