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Modo de produção da erva-mate paranaense pode ganhar reconhecimento internacional

Evento realizado no IFPR serviu para a avaliação do cultivo da erva-mate no Paraná enquanto Sistema Importante do Património Agrícola Mundial (SIPAM)

Reprodução/ Twitter FAO

 

O Instituto Federal do Paraná (IFPR) de Irati recebeu no dia 10 de dezembro um evento voltado à erva-mate sombreada. O encontro teve o objetivo de mostrar o sistema de produção da cultura no Estado, com o intuito de obter o reconhecimento internacional sobre o modo de produção da erva-mate. Ocorreu ainda o lançamento do Plano de Conservação Dinâmica dos promotores e apoiadores do Sistema Tradicional da Erva-mate (STEM) do Estado do Paraná.

 

Estiveram presentes representantes da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, um braço da Organização das Nações Unidas (ONU). A FAO tem participado em conjunto com o Cederva, Embrapa, o Instituto do Desenvolvimento Regional (IDR) do Paraná e organizações dos produtores da região por este reconhecimento. Estes, também participaram do evento.

 

Em entrevista ao Boletim AgroRegional, o professor e engenheiro agrônomo, João Luis Dremiski, coordenador do curso técnico em agroecologia e ex-coordenador do curso de agronomia do IFPR, comentou sobre o processo e o papel do Instituto. “Esse sistema que integra floresta e a produção de erva, respeitando a questão do meio ambiente, dos mananciais, das nascentes de água, a gente vê essa possibilidade de reconhecimento desse sistema. Nós estamos dando início a esse processo de certificação”, explica.

 

O professor João Dremiski é coordenador do curso técnico em agroecologia do IFPR Irati

 

 

Além de ceder o espaço para o evento, o IFPR foi uma das entidades a assinar o plano de trabalho, uma parceria com o observatório da erva-mate mantido pelo Ministério Público do Trabalho, e contribuir com a formulação da proposta. O Instituto desenvolve estudos sobre a erva-mate. “A gente, por exemplo, tem uma pesquisa onde avaliamos o uso do pó de rocha em erva mate em ambiente sombreado junto com a mata de Araucária, e essa é uma avaliação de médio prazo que a gente vai fazer também para contribuir com a pesquisa. Na extensão nós temos buscado fazer o trabalho de divulgação e do diálogo com as prefeituras também”, diz João.

 

Entre os temas abordados no evento estão o reconhecimento desse sistema de erva-mate na floresta de araucária e a autonomia e valorização da cadeia produtiva. O professor João acredita que isso passe por uma ter uma marca própria regional e a organização dos agricultores para pensar na construção de uma agroindústria, pontos que também foram discutidos no encontro. Também foram destacados a avaliação da diferença de qualidade da erva-mate sombreada em relação à cultivada a pleno sol e a produção em diferentes altitudes na região.

 

 

Reprodução/ Twitter FAO

 

 

Avaliação da FAO

 

 

A FAO Brasil está fazendo uma avaliação da produção de erva-mate no Paraná enquanto um Sistema Importante do Património Agrícola Mundial (SIPAM). Além do reconhecimento do modo tradicional de cultivo, a FAO avalia também a questão agroecológica e familiar, características presentes no cultivo da erva-mate no Estado, sobretudo nas regiões Centro-Sul e Sudeste.

 

 

De acordo com o professor João Dremiski, estão sendo identificados os tipos de manejo, matrizes e o desenvolvimento da planta em diferentes tipos de solo. Ele destaca ainda a tradição do cultivo. “A gente tem a erva-mate sendo produzida também nas comunidades de Faxinais. Então, as comunidades faxinalenses da nossa região tem muito a contribuir com essa questão dos conhecimentos e práticas agrícolas voltadas a erva-mate”

 

Em relação à agroecologia, João aponta que esse sistema tradicional agrícola baseado na erva-mate vai além da questão econômica, contribuindo com a recuperação e preservação de áreas de reserva legal e da biodiversidade.

Reprodução Twitter FAO

 

O evento serviu ainda para mostrar que a erva-mate vai além do chimarrão e que uma variedade de produtos já foram mapeados na região. “É um sistema [o SIPAM] que garante uma grande diversidade de produtos e práticas dentro da própria cultura da erva-mate. Para João a diversificação dos produtos pode vir a partir da agroindustrialização da erva-mate. No entanto, para o professor, tão importante quanto essa industrialização, é a proteção às práticas tradicionais.

 

“A gente buscou com o evento dar visibilidade nacional e até internacional do modo tradicional de produzir erva-mate e mostrar um pouco dessa questão do ecossistema que a gente tem aqui e da própria cultura”.

Visitas

 

Além do evento em Irati, foram realizadas visitas técnicas, que começou na  comunidade de Arroio Grande, em Irati. Depois, a uma agroindústria em São João do Triunfo e ao faxinal do Emboque em São Mateus do Sul. Para João Dremiski, essas visitas são importantes para receber as demandas dos produtores, e assim, elaborar propostas de políticas públicas para a promoção da cadeia produtiva e o desenvolvimento de pesquisas.

 

Texto: Daiara Souza

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