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Manejo cuidadoso

Cerca de 3% da produção de ovos no país é perdida por conta de problemas com a casca, segundo dados do Instituto Ovos Brasil

Um ovo de qualidade é definido por uma série de características. Quando se trata da casca, é importante tomar alguns cuidados na produção, para que ela seja resistente, limpa e uniforme, garantindo um produto melhor ao consumidor. Segundo dados do Instituto Ovos Brasil, a perda média por problemas de casca gira em torno de 3% da produção no país. Como explica a diretora administrativa da entidade, Tabatha Lacerda, para garantir a qualidade da casca do ovo, é necessário estar atento a alguns pilares durante o manejo e o período pós-produção.

Cuidados com a alimentação interferem diretamente na casca dos ovos produzidos. Foto: pixabay

Cuidados no manejo

O manejo nutricional das aves de postura é um dos principais pontos de atenção, já que 60% a 70% do cálcio presente na casca de ovo se dá por conta da alimentação, interferindo diretamente na qualidade do produto. Para isso, uma ração de qualidade é essencial. “É importante manter a adequada relação de cálcio e fósforo, vitamina B3 e minerais. Uma maneira de fazer isso é garantir uma alimentação com fontes de cálcio, como farinha de carne e calcário, por exemplo”. Fatores antinutricionais também interferem, portanto, é importante evitar alimentos com componentes que bloqueiem a absorção de nutrientes, como micotoxinas. “Nutricionalmente falando, a galinha vai depositar o que você der pra ela como alimentação”, diz.

Algumas doenças podem alterar a qualidade da casca, e por conta disso, é necessário ter um programa sanitário completo, com atenção às vacinas, para evitar problemas como a bronquite infecciosa, que pode causar alteração na espessura da casca, no formato e até na qualidade interna do ovo.

Outro ponto importante de atenção é em relação ao estresse térmico, quando a galinha é exposta a temperaturas acima de 27 graus: “as aves respiram mais ou menos 25 vezes por minuto. Quando o estresse térmico está no limite, ela entra em ofegação, respirando 250 vezes por minuto. A perda de gás carbônico durante esse processo faz com que o ph do sangue aumente, causando uma perda de cálcio iônico, o que traz problemas para a casca”, explica. Para garantir a qualidade, Tabatha alerta que é preciso manter uma temperatura adequada na granja, entre 18 a 24 graus.

É preciso ter cuidado também na hora do transporte, pois alguns ovos viajam vários quilômetros até chegar ao consumidor final Foto: pixabay

Pós-produção 

Após o manejo, também é importante estar atento ao transporte, já que em boa parte dos casos, os ovos viajam longas distâncias. Caso seja feito de maneira inadequada, mesmo que os cuidados com manejo, sanidade e ambiência estejam em dia, é possível que ocorram perdas durante o processo. “Todas as etapas são muito importantes. Se tiver sucesso em todas elas, é possível identificar qual parte do processo está falhando”, diz.

Os produtores também precisam cuidar da embalagem dos ovos, pois segundo Tabatha, consumidores estão cada vez mais preocupados com a imagem do produto. “As caixas de plástico, apesar de visualmente mais bonitas, são as que mais quebram o produto, então é preciso ter plena certeza da qualidade da casca que está sendo oferecida ao consumidor”, comenta.

Tomando os cuidados necessários durante a produção, haverá uma redução significativa no número de perdas após a postura, em processos como a manipulação e o transporte, garantindo um ovo na gôndola sem trincas e contaminação. “Quando o ovo estoura na embalagem, por exemplo, é devolvido para o produtor. Quando a apresentação do ovo na gôndola é ruim, o consumidor acaba não comprando o produto, afinal, a embalagem principal do ovo é a casca”, finaliza.

Conteúdo original publicado na Revista Sindiavipar (Abril, Maio e Junho/2021) – Adaptado pela assessoria de imprensa do IOB.

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