Notícias

Comitiva paranaense busca experiências com pinhão processado em SC

O grupo foi formado por técnicos da prefeitura e do Sindicato Rural de Bituruna, Sebrae Regional Centro , AMCESPAR, Conder, Prefeitura de Inácio Martins e consultores de alimentos

Foto: Reprodução Embrapa Florestas

 

A Embrapa Florestas tem avançado nas tratativas para implantação de projetos para industrializar o pinhão, e agregar mais valor a este importante alimento. Para embasar o trabalho, foi realizada, no início de abril, uma viagem técnica para a Serra Catarinense, na qual se percorreu mais de 1.600 km, ao longo dos municípios de Lages, Urubici, São José do Cerrito, Bocaina do Sul e Painel.

 

Nessa região já existem algumas agroindústrias que processam o pinhão e o comercializam cozido e congelado. A viagem de quatro dias foi organizada pela pesquisadora Rossana Catie Bueno de Godoy, da Embrapa Florestas, e reuniu técnicos da prefeitura e do Sindicato Rural de Bituruna-PR, Sebrae Regional Centro (Ponta Grossa-PR), Associação dos Municípios do Centro do Sul do Paraná (AMCESPAR), Consórcio Intermunicipal para Desenvolvimento Regional (Conder), Prefeitura de Inácio Martins-PR e consultores de alimentos, em um total de 12 pessoas.

 

De acordo com a pesquisadora, para tornar assertivas as ações que visam à melhoria da cadeia do pinhão é fundamental se inteirar da dinâmica dos processos. “Foi preciso conversar diretamente com cada elo da cadeia, para que repliquemos um modelo com ajustes e adaptações ao ambiente paranaense”, diz a pesquisadora. “Os relatos obtidos na viagem permitem o melhor entendimento da conjuntura atual dessa cadeia ainda extrativista, vendo de perto os principais entraves, as expectativas dos produtores, problemas de mercado, políticas públicas e oportunidades”, conta.

 

A viagem técnica proporcionou ainda uma aproximação com os principais atores da cadeia produtiva do pinhão na Serra Catarinense, e incluiu visitas a atacadistas, extrativistas e agroindústrias de processamento de pinhão, como a de São José do Cerrito. “Lá, nós visitamos uma agroindústria registrada, em que fazem desde a compra da matéria-prima até a comercialização do pinhão cozido e congelado, tendo eles sido os precursores nesse produto. Também fomos a associações de produtores, mercados regionais e conhecemos propriedades que exploram o agroturismo”, relata a pesquisadora.

 

Foto: Reprodução Embrapa Florestas

 

Catie de Godoy conta que a viagem técnica também proporcionou muita troca de experiências com a equipe técnica envolvida. “Não somente trouxemos informações como também aproveitamos a oportunidade para divulgar os ativos tecnológicos da Embrapa Florestas, resultados do projeto Pinalim. Grande parte dos produtores catarinenses processa o pinhão na forma de descascado, cozido e congelado e o comercializa em vários segmentos do mercado. Eles também disseram que há anos fazem suas próprias experiências para produzir a farinha de pinhão e, de fato, conseguiram, para consumo próprio. Mas quando se trata de produzir em maior escala, sem um equipamento que permita o descascamento mecânico, não é viável e eles acabam desistindo, como já aconteceu antes”, diz.

 

Oportunidades

 

Nesse sentido, foi possível apresentar alternativas viáveis de processamento em escala, abrindo oportunidades para parcerias futuras entre a Embrapa Florestas e as associações de produtores catarinenses. “A vantagem é que eles já estão mais organizados e a adoção de tecnologia pode ser mais rápida”, afirma Godoy. A pesquisadora também aproveitou a oportunidade para divulgar outra metodologia recente que desenvolveu para a seleção de pinhões sadios.

 

Sobre o processo de coleta de pinhão realizada na região, a pesquisadora aponta que é preciso avançar em sistemas mais seguros e eficientes. “O processo de coleta inclui a escalada no pinheiro e a derrubada das pinhas, sendo uma operação onerosa e de grande risco de acidentes. Além disso, grande parte dos produtores que faz a coleta é de meia-idade, sendo necessário despertar nos jovens o interesse em dar continuidade a essa atividade familiar. Para isso, a agregação de valor à matéria-prima é relevante, não somente através do processamento como também pelas certificações. As certificações sociais também agregam valor, como, por exemplo, “Produto da agricultura familiar”, “Produto da economia solidária”, “Produto Agroflorestal” e “Alimento orgânico”, explica.

 

Entraves

 

Além das visitas com o grupo técnico, foi realizada uma palestra na Associação Vianei de Cooperação e Intercâmbio no Trabalho, Educação, Cultura e Saúde (Avicitecs), em Lages-SC, com Natal João Magnanti, coordenador de projetos da instituição. Na oportunidade, Magnantis ressaltou alguns problemas da cadeia de pinhão, como a necessidade de ampliar o mercado para outras regiões, além do Sul do Brasil.

 

Outra questão trazida foi a carência de organização da cadeia produtiva, que se evidencia já no seu estágio inicial, com a colheita e com a venda informal, problemas que precisam ser sanados para se garantir o suprimento da matéria-prima agroindustrial. Alguns produtores também citaram entraves, como o caso do Norberto Ghizoni, que falou sobre a presença de broca, que se intensifica com o tempo de armazenamento. Valsiria Kuhnen Ribeiro, produtora de Urubici, também se pronunciou e falou sobre a dificuldade do descascamento do pinhão para fazer a farinha, atividade que deseja implementar há tempos.

 

“São várias ações simultâneas para manter e impulsionar essa cadeia, no entanto, todas elas devem se reverter em benefícios diretos para quem está na base da atividade, que são pequenos produtores, que residem em pequenas propriedades e que praticam a agricultura familiar”, afirma Magnantis.

 

 

***Embrapa Florestas

Comentários

Quer ficar por dentro de todas as notícias? Entre no nosso grupo do whatsapp: