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Bactérias funcionais garantem crescimento do tomate em condições de estresse salino

Estudo identificou isolados de bacilos com propriedades funcionais para promover o crescimento das plantas de tomateiro em condições de estresse salino do solo

Estudo identificou isolados de bacilos com propriedades funcionais para promover o crescimento das plantas de tomateiro em condições de estresse salino do solo (Foto: André Fachini Minitti/Embrapa)

Cientistas da Embrapa Meio Ambiente (SP) avaliaram o potencial de isolados de bactérias funcionais para promover o crescimento de tomateiros cultivados sob condições de estresse salino do solo. De 154 estirpes de bacilos inicialmente estudadas, quatro foram selecionadas e apresentaram aumento na altura, pesos das raízes e da parte aérea, teor de clorofila e diâmetro do caule. Além disso, conseguiram reduzir em mais de 50% a severidade da murcha de Fusarium em tomate.

Segundo o pesquisador Wagner Bettiol, a taxa de salinização dos solos tem se expandido globalmente, causando problemas de segurança alimentar em diversos países. Além disso, o estresse salino ocorre naturalmente em regiões áridas e semiáridas. A salinização dos solos afeta negativamente a fotossíntese, a absorção de nutrientes, a transpiração, a síntese de proteínas e as regulações hormonais, resultando em menor crescimento das plantas.

Carlos Medeiros, que na época do estudo era mestrando da Unesp/Botucatu sob orientação de Bettiol, explica que a pesquisa foi dividida em três fases. Na primeira, foram realizados testes bioquímicos, que avaliaram a produção de hormônios vegetais, solubilização de fósforo, fixação de nitrogênio e produção de alguns compostos importantes para o desenvolvimento das plantas. Esses ensaios foram conduzidos no Laboratório de Microbiologia Ambiental “Raquel Ghini” da Embrapa Meio Ambiente, expondo 154 isolados de bacilos às condições de aumento no teor de sal.

“Utilizamos seis testes bioquímicos para fazer essa primeira seleção. Diversos isolados de bacilos apresentaram respostas positivas, mas foram selecionados os que mostraram, pelo menos, quatro respostas positivas aos seis testes para as fases seguintes dos estudos”, informa Medeiros.

Em seguida, esses quatro isolados selecionados em laboratório foram avaliados em plantas de tomate desenvolvidas em casa-de-vegetação. “Começamos a testar os isolados diretamente nas plantas desenvolvidas em condições com e sem estresse salino para avaliar diversas características relacionadas ao crescimento da planta”, explica. Nos estudos foram analisados o aumento na altura, no peso das raízes e da parte aérea das plantas, bem como o teor de clorofila das folhas e o diâmetro do caule dos tomateiros, importantes parâmetros nesse caso.

Após essa fase, os isolados foram avaliados no controle da murcha de Fusarium do tomateiro. “Além da eficiência em controlar a murcha, analisamos três enzimas que estão diretamente relacionadas com a indução de resistência da planta ao patógeno e também de prolina, um aminoácido especificamente voltado à proteção contra o estresse salino”, diz Medeiros.

Os detalhes dos resultados, que fizeram parte da dissertação de mestrado de Carlos Medeiros, estão publicados no Journal of Applied Microbiology.

A FUSARIUM

A murcha de Fusarium do tomateiro ocorre na maioria das regiões do mundo onde o fruto é cultivado. É uma das piores doenças dessa cultura e pode resultar em perdas de produtividade de até 80% em variedades suscetíveis. Ocorre em qualquer época ou fase de desenvolvimento, mais frequentemente em plantas adultas, e pode inviabilizar o cultivo em determinadas regiões ou épocas do ano.

Os primeiros sintomas são o amarelecimento das folhas mais velhas, que gradualmente murcham e apresentam necrose marginal ou total do limbo, acompanhado de murcha das folhas superiores nas horas mais quentes do dia.

Com o progresso da doença, o amarelecimento aumenta até atingir também as folhas mais novas. Nessa condição, os frutos não se desenvolvem, amadurecem ainda pequenos ou caem prematuramente e as plantas doentes apresentam crescimento reduzido, podendo morrer após terem seu sistema vascular completamente comprometido pelo patógeno.

Fonte: Embrapa

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