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A força da mulher rural – conheça histórias de quem venceu no campo

No Dia Internacional da Mulher Rural, o Boletim AgroRegional conta a história de Célia Slota Caciano, Elaine Pin e Dorotéia Pereira dos Santos , produtoras rurais de Prudentópolis e Rebouças

 

Cada vez mais influente e atuante, a mulher rural vem crescendo no comando dos negócios, no empreendedorismo rural e nas mais diversas atividades ligadas ao agronegócio.

 

O dia 15 de outubro é o Dia Internacional da Mulher Rural, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em razão da crescente representatividade feminina no meio agro.

 

Para homenagear as mulheres que trabalham no campo, o Boletim AgroRegional conversou com três produtoras para conhecer suas histórias e mostrar como estão inseridas nas atividades rurais.

 

Célia Slota Caciano

 

 

Moradora de Prudentópolis, Célia é casada e mãe de quatro filhas, Angela, Ana Paula, Larissa e Camila. Ela conta que sempre trabalhou na roça e que apesar da vontade de estudar, nunca conseguiu por ter que ajudar a mãe nos trabalhos.

 

“Aos 18 anos me casei, e se tornou mais complicado ainda, pois a família do meu marido trabalhava nas barras e era tudo trabalho manual”, explica, lembrando que mesmo grávida trabalhava arrancando feijão e quebrando milho para ajudar o marido.

 

Quando as filhas cresceram, foram estudar, e ela passou a plantar só nas lavouras próximas de casa, mas um presente recebido acabou despertando uma oportunidade de negócios para Célia. “Um certo dia fomos passear na minha cunhada que mora em Curitiba, e ganhei uma orquídea da minha afilhada. Até então eu nunca havia visto uma orquídea, as mulheres aqui da nossa comunidade também não. Então foi amor à primeira vista, me apaixonei, e desde então sempre comprei”.

 

O tempo passou e ela começou a vender mudas para as vizinhas, e o que era uma coisa pequena, se tornou negócio. “Hoje sou dona de um pequeno orquidário, suculentario e cactário, aqui na comunidade em que resido. Ainda tenho dificuldade para comprar plantas de fora, pois vendem apenas em grandes quantidades, e muito caro também. Mas mesmo com as dificuldades, é muito bom ter o meu próprio negócio, ter o meu dinheirinho. Com certeza está muito melhor que na época em que eu tinha que enfrentar sol e chuva nas roças”.

 

Célia recebe ajuda das filhas nas atividades da casa e na divulgação do negócio nas redes sociais. Aliás, boa parte dos pedidos são pelas mídias digitais. De acordo com ela, os cursos e oficinas ajudam bastante quando se tem o objetivo de conquistar uma independência financeira. “Aqui na comunidade tem muitas mulheres que fizeram os cursos do Senar, e agora vão ganhando seu dinheiro”, finaliza a produtora.

 

Dorotéia Pereira dos Santos

 

 

Diferente de Célia, a produtora Dorotéia de Rebouças, não trabalhou na roça enquanto criança. Segundo ela, apenas aos 24 anos passou a trabalhar na área rural após se casar. Hoje ela e o marido mantêm uma propriedade com uma produção bem diversificada.

 

“Plantamos soja, milho e verduras e também temos uma granjinha de galinhas poedeiras de mil galinhas”, conta.

 

Segundo ela, participar de capacitações é sempre bom, já que é uma oportunidade de aprender ainda mais sobre o campo. A rotina é dividida entre o cuidado da casa e o trato das galinhas.

 

“Meu marido faz a lavoura e trabalha de tratorista na prefeitura, e eu cuido das galinhas, coloco ração, junto ovos e planto verduras”. Dorotéia tem um filho e uma filha já casados, que estudaram no Colégio Agrícola de Palmeira e são técnicos agrícolas. E o mais novo que mora com a família.

 

Elaine Pin

 

 

A produtora Elaine é mais um exemplo da força da mulher rural. Aos sete anos ela já ajuda os pais tirando leite das vacas e auxiliando nos serviços domésticos. Nesta idade, ela e família moravam próximo a Cascavel-PR, e foi também nesta época que passou a ir para a escola, no entanto, para chegar até lá andava cerca de 10 km somando ida e volta. “Aos 16 anos meu pai vendeu o terreno onde a gente morava e comprou um caminhão. A gente foi morar um tempo na cidade, mas eu sempre ajudando meus tios na área rural”, afirma.

 

Anos depois, a família de Elaine voltou a morar na zona rural, desta vez, em Prudentópolis. “Quando começamos a morar aqui, não tínhamos de onde tirar os custos de alimentação. Plantamos fumo durante oito anos e depois todos se intoxicaram com o veneno. Não consegui mais trabalhar com fumo”.

 

Depois de casar, ela continuou morando no campo, onde permanece até hoje, mas trabalhando com a produção de chocolate artesanal já há 12 anos, a partir de uma ideia da filha. “Comecei com um quilo de chocolate fazendo uns bombonzinhos e foi crescendo a produção. Todo mundo querendo e eu fazendo minha atividade rural em casa e fazendo o chocolatinho”.

 

Com o crescimento dos pedidos, Elaine construiu uma cozinha apenas para a produção dos doces e começou a participar de projetos da prefeitura e do Sebrae. “Através disso passei a participar das freiras, das festas de comunidades”, destaca, afirmando que toda sua renda vem através dos chocolates artesanais.

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