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18ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade será em Fernandes Pinheiro

Renato Kovalski, biólogo e um dos organizadores, falou sobre o evento ao Boletim AgroRegional

Foto: Reprodução/Facebook Coletivo Triunfo

 

De 5 a 7 de agosto, ocorre em Fernandes Pinheiro, a 18ª Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade. O evento que tem a organização do Coletivo Triunfo será realizado no parque da Prainha.

 

Este ano, serão apresentados dois seminários, diversas oficinas e stands agroecológicos, além de apresentações culturais.

 

Em entrevista ao Boletim AgroRegional, o biólogo e um dos organizadores da Feira, Renato Kovalski Ribeiro, falou sobre diversos assuntos sobre esta ação do Coletivo.

 

Segundo ele, as sementes e mudas crioulas são variedades que estão a milhares de anos nas mãos de Indígenas, povos tradicionais e famílias agricultoras. “Passando por um processo constante de seleção e adaptação aos mais diversos climas, solos e gostos, gerando uma enorme diversidade de formas, cores, sabores, arte e técnicas, ao que damos o nome de Agrobiodiversidade. Sendo estas variedades as indicadas para a produção orgânica e agroecológica, visto que não necessitam da aplicação de insumos, são resistentes às pragas e produtivas”, explica.

 

Ele aponta também que a agrobiodiversidade movimenta a economia local e fortalece a agricultura familiar limpa, saudável e igualitária.

 

FEIRA

 

Conforme o biólogo, a Feira Regional de Sementes Crioulas e da Agrobiodiversidade é um evento que ocorre há anos na região, buscando fortalecer as famílias chamadas de “Guardiãs de Sementes” que conservam e multiplicam a agrobiodiversidade. “No evento todas as sementes são livres de transgênicos, pois a contaminação das sementes crioulas por transgênicos tecnicamente destrói os sistemas de produção em que estas sementes estão inseridas e com isso apaga todo esse trabalho que passa de mão em mão a milhares de anos” destaca Renato.

 

A expectativa da organização é de que cerca de 5 mil pessoas passem pelo Parque da Prainha, sendo em grande parte agricultores familiares, pesquisadores, técnicos, professores e alunos. “Também esperamos ter cerca de 150 expositores de sementes, mudas e artesanatos da agricultura familiar”, comenta.

 

Em sua 18ª edição, a Feira tem como objetivo conservar as sementes e mudas crioulas, que sempre circularam naturalmente entre as famílias. Segundo Renato, hoje elas estão se perdendo.

 

COLETIVO

 

A organização das feiras é do grupo Coletivo Triunfo, formado por famílias guardiãs de sementes, sindicatos, cooperativas e associações da agricultura familiar, escolas do campo, universidades, estudantes, professores, técnicos e projetos de ATER da região. O grupo conta com o apoio e assessoria da AS-PTA agricultura familiar e agroecologia e para esta feira a principal parceira é a Prefeitura de Fernandes Pinheiro.

 

PROGRAMAÇÃO

 

Nos três dias de evento os visitantes poderão circular pelas bancas de sementes e mudas crioulas, artesanatos e produtos da agricultura familiar, além dos stands técnicos e oficinas ligadas a agroecologia e as sementes crioulas.

 

A sexta-feira (5) é dedicada a exposições e a visita das escolas do município e da região. “No período da tarde teremos um seminário sobre a alimentação saudável e consumo consciente e à noite apresentações culturais. No sábado, dia 6, segue a feira e a tarde teremos o grande seminário da rede de famílias guardiãs de sementes crioulas do Paraná e a noite cultural com diversas apresentações locais. No domingo, temos a abertura oficial do evento pela manhã com a benção multirreligiosa das sementes e mudas e a leitura da carta política aberta da feira”, detalha o organizador.

 

IMPORTÂNCIA

 

Para Renato, para além da aquisição, troca e multiplicação das sementes e mudas crioulas, as feiras são locais de aprendizado onde são expostas várias técnicas, conhecimentos e discussões sobre a produção orgânica e a agroecologia principalmente, além de ser um espaço de debate sobre as questões agrárias, tanto com o público rural como com o urbano.

 

“O acesso é livre a toda a população da região que queira conhecer um pouco sobre nossa agrobiodiversidade. As bancas de exposição são gratuitas para as famílias guardiãs ligadas à agricultura familiar sendo necessário apenas uma inscrição prévia das bancas e produtos”, encerra Renato.

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