Clima e mercado são pontos centrais nas tendências do agronegócio 

Há muito tempo o produtor rural deixou de se preocupar apenas com o plantar e colher. Agora, para se ter uma boa rentabilidade no campo, é preciso estar atento a diversas variáveis, como clima, mercado e até mesmo política. Para abordar estes temas, a Sicredi Centro Sul PR/SC/RJ reuniu cerca de 500 produtores em um evento em Prudentópolis sobre as tendências do agronegócios, em especial, para as culturas da soja, milho e trigo.

Além das informações de mercado, os agricultores também acompanharam uma apresentação sobre o clima, com destaque para os fenômenos El Nino e La Nina e os impactos nas lavouras, apresentada por Luiz Renato Lazinski, além de uma palestra sobre sucessão familiar rural. 

“Nós criamos o evento tendências do agro para poder falar aos nossos produtores rurais sobre o cenário econômico, o clima, e levar informações e conhecimento para tomada de decisão dos nossos agricultores, principalmente para quem é produtor de milho, de soja, de carne, trigo.Tudo que foi apresentado vai dar bons direcionados e cuidados para a próxima safra que está por vir”. 

Santo Cappellari, presidente da Sicredi Centro Sul PR/SC/RJ 

Palestrante principal do evento, o economista e consultor Paulo Molinari apresentou as perspectivas para a safra atual e próximas temporadas das culturas. O AgroRegional detalha as principais informações abordadas pelo especialista do Safras & Mercado. 

SOJA

No caso da oleaginosa, a questão climática americana até dezembro é ponto chave dos preços. Conforme Molinari, de forma simples, o produtor precisa entender que “se chover na safra americana, o preço para baixo, se não chover, é alta”.

O preço da soja, que preocupa muitos produtores e faz boa parte ainda segurar os estoques, está voltando ao seu normal, segundo Paulo. O especialista aponta que nos últimos três anos houve  uma situação muito atípica em função da pandemia, da guerra entre Rússia e Ucrânia e pela quebra de safras em função de três anos de La Nina. “Tudo isso trouxe altas de preços de a nível mundial. Tudo isso acabou nos favorecendo com o preço da soja chegando a R$200, o milho a R$100. Isso infelizmente foi embora, ou felizmente foi embora, e agora nós estamos voltando a curva normal”, afirma. Outro destaque apresentado é a lentidão nas negociações da soja da atual e da próxima safra. 

“Não tem nenhuma variável que eu possa dizer: segure soja, que vai subir mais”.

PAULO MOLINARI- CONSULTOR

Confira abaixo alguns dados apresentados por Paulo Molinari

Comercialização da soja – até maio/23

Safra 23/24

Brasil – 51%

Paraná – 40%

______________

Safra 24/25

Brasil – 5,9%

Paraná – 5%

MILHO E TRIGO

No caso do milho, além do clima americano, há a colheita da safrinha. “O milho tem mais propensão a um movimento de alta depois da colheita da safrinha, do que a soja. As áreas plantadas na região sul no próximo verão, vão reduzir de 10% a 20%. Se a próxima safra de verão reduzir a área e a produção no sul, o primeiro semestre tem chances de alta nos preços”, disse Molinari. 

A recomendação é que os produtores fiquem muito atentos ao relatório de área plantada americana no dia 30 de junho e depois ao restante do clima americano em julho e agosto. “A demanda não é capaz de puxar preço sozinha, precisamos ter problemas de oferta e quem está no alvo de oferta é a safra americana”, destaca Paulo. 

Já no trigo, a situação do mar negro vem sendo a grande variável de curto prazo. A Rússia, que é o maior exportador  mundial de trigo, vem enfrentando problemas com o clima, com uma Primavera seca e uma sequência de geadas em seguida. “A safra russa está quebrando e acontece quase a mesma coisa na França. E a Índia diz que em julho vai tirar uma tarifa de importação de 40% do trigo para baixar os preços dentro da Índia. Uma das oportunidades do milho, é que o trigo continue subindo nas próximas semanas e continue dando suporte para o milho voltar a subir no mercado internacional, no Brasil e no Paraná”, comentou. 

PLANEJAMENTO

“Nós estamos sugerindo que o produtor aproveite a melhoria de preço que nós temos agora, para começar a fazer as compras de insumos para a safra de 2025, a relação e troca melhorou. Se o produtor deixar para comprar tudo de última hora é capaz de os insumos começarem a subir de novo os preços, por conta da concentração de compra”, recomenda Paulo Molinari.

*Redação

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