Com balsas interditadas, produtores de Cruz Machado têm prejuízos

Desde junho de 2023 produtores rurais moradores de localidades próximas ao Rio da Areia, em Cruz Machado, vem enfrentando uma série de dificuldades no escoamento da produção, na compra de insumos e na locomoção para cidades vizinhas, como é o caso de Pinhão e Bituruna. O motivo é a interdição de três balsas e rebocadores do municípios que reduzem o tempo de viagem entre os municípios.

As balsas Foz do Areia, Rio do Areia e Palmeirinha foram interditadas em 13 de junho de 2023 pela Marinha, através da Capitania Fluvial do Rio Paraná (CFRP), após uma inspeção. Em contato com a Marinha o AgroRegional foi informado de que as embarcações passaram por Vistoria Naval para Renovação do Certificado de Segurança da Navegação, no entanto, “foram constatadas exigências, em que algumas delas devem ser sanadas, impreterivelmente, antes da colocação da embarcação em água e retomada da navegação/operação, por serem exigências que colocam a segurança das embarcações em risco”, diz a nota (leia abaixo na íntegra) encaminhada pela Marinha.

Em relação aos prazos de retorno das operações, a Marinha informou que ele está condicionado ao cumprimento das exigências, elencadas em um relatório encaminhado ao responsável, no caso, a Prefeitura de Cruz Machado. “Tão logo esta Capitania seja informada pelo proprietário da embarcação sobre o cumprimento de tais exigências, será providenciado com celeridade os meios necessários para realizar a constatação das exigências sanadas e iniciar as demais etapas para a regularização das embarcações”, garantiu a Marinha.

RECLAMAÇÕES

Moradores que dependem das embarcações estão enfrentando diversos problemas no dia a dia. Um dos agricultores, que preferiu não se identificar, comenta que a falta das balsas  tem afetado o deslocamento de um município para outro, atrapalhando a escoação da produção de erva-mate, milho e feijão. “Centenas de famílias estão sendo prejudicadas. O comércio não faz entregas de insumos agrícolas, nem mercadoso ou lojas querem fazer entregas semanais”, afirma.

Segundo ele, desde a interdição, houve aumento de frentes e os trabalhadores que prestam serviços de um município para outro não estão conseguindo trabalhar por não ter passagem mais próxima ao trabalho.

Em relação às estradas, ele comenta que agrava a situação. “Muitas pedras, valetas, buracos, esgotos trancados por falta de manutenção de máquinas municipais. O povo que perdeu terras pela represa não tem direito de ir e vir pelas balsas e pelas estradas”, destaca.

Orivaldo mora há 50 anos na região e cultiva milho e erva mate, além de trabalhar na construção civil. Para ele o principal problema tem sido o deslocamento até o trabalho em Pinhão. “Não fui tão prejudicado em minha produção, por morar em Cruz Machado. Mas tenho muitos amigos que moram no Pinhão e dependem da balsa para escoar a produção, em especial à erva mate que é o forte da região. Atualmente estou trabalhando do lado do pinhão e preciso da balsa para travessia”, disse.

Ele relata que percebeu um aumento de custo de locomoção neste período sem a balsa. “Pela balsa o trajeto até o trabalho é 11km. Pela ponte até o trabalho o trajeto é 25km. Tenho um aumento de 380km em vinte dias de trabalho. Na questão da estrada de acesso, sempre em condições críticas, em ambos os municípios”, comenta.

O produtor Irineu mora na localidade desde que nasceu, e a interdição da balsa o impede de acessar um terreno que fica do lado do município do Pinhão, já que a propriedade fica nos dois municípios. “Sem a balsa é preciso fazer um trajeto de cerca de 30 km para acessar a propriedade que fica do outro lado do rio. Tivemos prejuízo por conta de que ninguém quer comprar a erva-mate que fica na propriedade do lado do Pinhão por causa da dificuldade do acesso sem a balsa. É uma situação que afeta centenas de famílias que moram no Pinhão e negociam seus produtos em Cruz Machado”, afirma. Sobre as estradas, ele avalia que  “estão numa situação tão precária”. 

POSIÇÃO DA PREFEITURA

O AgroRegional fez contato com a Prefeitura de Cruz Machado e recebeu uma nota (leia abaixo na íntegra) com informação sobre o assunto. O documento diz “que nunca o município deixou de cumprir as normas da Marinha e que em março de 2023 o município solicitou a abertura de Procedimento para a Contratação de uma Empresa para realização da medição dos cascos das Embarcações do município que é realizada através do ultrassom com entrega de relatórios, laudos, atestados e ARTs, e que este ultrassom é realizado na presença dos vistoriadores navais que ocorreu em 13 de junho de 2023, e que conforme apresentado nos laudos de ultrassom, as embarcações do município não apresentavam condições seguras de navegação tendo em vista o desgaste prematuro das chapas de aço que compõe parte do casco das balsas”.

Além disso, que desde a interdição pela Marinha, o município iniciou as tratativas para realizar as reformas o mais breve possível e que buscou recursos junto a Copel e Governo do Estado, mas sem sucesso. A nota destaca que o município de Cruz Machado realizou a alocação de recursos próprios para a contratação de uma empresa do ramo naval para realizar as reformas das três balsas e rebocadores e que o custo estimado é de R$ 1.730.000,00.

“Informamos que todas as embarcações serão reformadas e estão inclusas neste processo de licitação. E que todos os procedimentos que foram adotados pela Prefeitura estão dispostos na página da transparência oficial do município. Que a licitação está na fase interna de preparação do edital que em breve será publicada. A Prefeitura estima um prazo de 180 (cento e oitenta) dias para retorno das balsas, incluindo a parte da publicação da licitação, proposta, recursos e prazo de execução dos serviços”, destaca o documento encaminhado à nossa redação.

A Prefeitura diz em nota que a população pode acompanhar todos os trâmites realizados desde a interdição, através do site do município (pmcm.pr.gov.br)

*Redação | Fotos encaminhadas por leitores

NOTA MARINHA

NOTA DA PREFEITURA

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