Conheça as doenças foliares que mais afetam a cultura da soja atualmente

As doenças foliares da soja se destacam das demais porque podem causar cerca de 30% de prejuízos na lavoura quando não são manejadas no momento correto. O potencial de dano destas doenças é alto, porque afetam diretamente as folhas das plantas de soja, comprometendo a fotossíntese, e consequentemente, a produção de grãos da lavoura.

Causadas por fungos, as doenças foliares que mais tem chamado a atenção dos sojicultores são a cercosporiose (Cercospora kikuchii) e septoriose (Septoria glycines), e a mancha alvo (Corynespora cassiicola).

Cercosporiose

A cercosporiose também é conhecida como “crestamento foliar de cercospora”, e como “mancha púrpura”, pode ser encontrada em todas as regiões produtoras do país, embora ocorra com maior severidade em regiões mais quentes e chuvosas.

Esta doença ataca todas as partes da planta de soja, e pode ser identificada por diferentes sintomas:

  • Pontuações escuras nas folhas, de cor castanho-avermelhadas, com bordas difusas, que com o tempo formam grandes manchas escuras, causando crestamento e desfolha prematura da planta.
  • Nas vagens, aparecem pontuações também castanho-avermelhadas. A partir da vagem, o fungo atinge o grão de soja, e causa o sintoma chamado “mancha púrpura”.
  • Causa manchas vermelhas superficiais nos nós da planta.
  • Fungo penetra na haste e causa necrose de coloração avermelhada.

Este fungo pode chegar até a lavoura por meio de sementes infectadas que não passaram por nenhum tipo de tratamento de sementes industrial (TSI). Além disso, pode sobreviver na palhada.

Septoriose

Também conhecida como “mancha-parda”, a septoriose é causada pelo fungo Septoria glycines, que é favorecido por alta temperatura e umidade. Segundo publicação da Embrapa, o fungo precisa de um período mínimo de molhamento de 6 horas e temperaturas entre 15 °C e 30 °C para desenvolver sintomas na planta de soja.

Os sintomas de septoriose nas plantas de soja são:

  • Pequenas pontuações ou manchas de contorno angulares de cor castanho-avermelhadas que aparecem cerca de duas semanas após a emergência da cultura.
  • Pontuações pardas, de até 1mm de diâmetro nas folhas.
  • Halos amarelados com centro angular de cor castanha, medindo até 4mm de diâmetro, em ambas as faces das folhas.
  • Desfolha e maturação precoce em casos de infecções severas.

O fungo pode chegar até a cultura da soja por meio de sua capacidade de sobreviver em restos culturais, ou pela ação do vento ou da água, que pode dispersar esporos do S. glycines.

Mancha-alvo

Esta doença afeta folhas, hastes, vagens e raízes da planta de soja, e por esse motivo, também é conhecida como “podridão radicular de Corynespora”. O fungo causador da mancha alvo também é muito comum em todas as regiões produtoras do país, e infecta uma grande variedade de plantas nativas e cultivadas.

De acordo com a Embrapa, o fungo C. cassiicola pode chegar às lavouras de soja a partir de sementes infectadas. Em casos de manejo inadequado de doenças na safra anterior, o fungo também pode sobreviver em restos culturais até a emergência da soja.

Os sintomas da mancha alvo são:

  • Lesões iniciais nas folhas em forma de pontuações pardas com halo amarelado.
  • As lesões evoluem para grandes manchas de formato redondo, de cor que pode variar do castanho-claro ao castanho-escuro, atingindo até 2 cm de diâmetro.
  • Em todos os casos, as manchas apresentam uma pontuação escura no centro, o que remete ao nome “mancha alvo”.
  • Nas hastes e vagens podem ser encontradas manchas de cores que variam entre pardo e vermelho.
  • A infecção nas raízes também afeta a cultura da soja, restringindo sua capacidade de absorver água e nutrientes.
  • Quando cultivares suscetíveis são infectadas, pode ocorrer desfolha severa.

Alta umidade relativa é uma das principais condições que favorecem a infeção da mancha alvo nas folhas da planta de soja.

Manejando as doenças foliares da soja

O manejo de doenças foliares da soja envolve uma série de ações, estratégias e práticas. A princípio, é importante reforçar que para evitar perdas por estas doenças, é fundamental iniciar o trabalho de manejo antes mesmo das sementes chegarem até a fazenda.

  • Cumprir corretamente o vazio sanitário.
  • Preparo adequado do solo, evitando talhões compactados.
  • Manejo nutricional ajustado às necessidades da cultura.
  • Adoção de estratégias de rotação de culturas, evitando que os fungos encontrem plantas hospedeiras por longos períodos.
  • Manejo eficiente de plantas daninhas.
  • Aquisição de sementes livres de fungos, com procedência e qualidade comprovadas.
  • Adoção de cultivares resistentes aos fungos mediante histórico da lavoura.
  • Tratamento de sementes industrial (TSI) com fungicidas, para que as sementes cheguem na lavoura preparadas para o plantio.
  • Plantio na janela adequada para a região.
  • Monitoramento constante.
  • Pulverização preventiva de fungicidas a partir do monitoramento, e do histórico de ocorrência de doenças da lavoura.
  • Rotação de fungicidas, considerando modo de ação, sítio específico e multissítios.

De modo geral, o controle químico das doenças cercosporiose, septoriose e mancha-alvo, depende do uso de fungicidas eficientes no momento correto. Quando este momento é perdido, dificilmente os fungicidas apresentarão bons resultados.

Por esse motivo, é essencial que o controle destas doenças tenha início ainda no período vegetativo da lavoura. O objetivo destas pulverizações iniciais é atingir as manchas ainda pequenas, para reduzir as fontes de inóculo da doença.

*Agro Bayer com edição

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