Em meio a desafios, produtor integra lavoura e pecuária leiteira


Na comunidade de Alto São João, em Laranjeiras do Sul, assim como nas milhares de comunidades rurais do Paraná, a vida no campo é um desafio constante. Isso porque o produtor não depende apenas dele, é preciso contar com as boas variações de mercado e com o equilíbrio do clima.

E ninguém entende isso melhor do que o produtor rural Vanderlei Antônio Rossini, agricultor e pecuarista que nasceu e cresceu no meio rural. Ao AgroRegional o morador de Laranjeiras do Sul compartilhou as experiências e desafios enfrentados em sua propriedade, onde a integração entre a pecuária de leite e a agricultura é a base de sua atividade.

Rossini gerencia a propriedade junto com a esposa Eleandra e os filhos Danielly e Pablo, onde a diversificação é a chave para a permanência no campo. “Trabalhamos com pecuária de leite, soja e milho”, explica Vanderlei, ressaltando a importância de manter uma produção diversa para garantir a estabilidade financeira. No entanto, ele destaca que as incertezas em relação ao apoio governamental em questões de preços têm sido uma constante preocupação.

“As perspectivas de produção são boas, mas ficamos na incerteza do apoio do governo em relação ao preço”, diz Vanderlei, referindo-se ao desafio financeiro que sua família enfrentou no último ano. Apesar de uma safra excelente em termos de produção, os preços pagos pelos produtos foram insuficientes, deixando a família no vermelho. O custo elevado dos insumos e a baixa remuneração pelos produtos, incluindo o leite, que é a principal fonte de renda da propriedade, contribuíram para um ano difícil de equilibrar as contas.

E a preocupação com a cotação do leite, especial, tem sido uma constante nos últimos meses. O produtor paranaense recebeu menos pelo litro de leite pelo quinto mês consecutivo, conforme dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Com o mês de outubro finalizado, a média do preço recebido atingiu R$ 2,21 por litro, 6,4% a menos que no mês anterior e 27,6% a menos do que o registrado na média do mesmo mês de 2022. Assim, muitos produtores continuam operando com margens extremamente apertadas ou mesmo em prejuízo, tendo que utilizar o lucro de outras culturas para se manter na atividade.

FAMÍLIA

Com uma equipe composta por quatro membros da família, a propriedade de Vanderlei depende da mão de obra familiar para manter suas operações. No entanto, as adversidades climáticas, como danos causados pela erosão decorrente das chuvas, complicam ainda mais a gestão da propriedade.

Em outubro, o município, assim como diversos outros do Paraná, enfrentou muitos problemas causados pelo alto volume de chuva. No total, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento do Paraná (Simepar), foram 520,2 mm, em Laranjeiras do Sul. A média histórica do mês é de 277,0 mm.

Foto da propriedade de Vanderlei – Arquivo Pessoal

A produção de Rossini é entregue em cooperativas, onde a propriedade é cooperada de três delas. Essa escolha estratégica visa fortalecer a posição dos produtores frente aos desafios do mercado. No entanto, Vanderlei destaca a dificuldade em alcançar a sucessão familiar devido à falta de incentivo governamental nesse aspecto.

“Eu gostaria muito de ter sucessão familiar, mas a falta de incentivo do governo torna isso difícil”, lamenta Vanderlei. O produtor destaca a importância de políticas que promovam a continuidade das atividades agrícolas de geração em geração, garantindo a sustentabilidade das comunidades rurais. Em meio a desafios, Vanderlei Antônio Rossini mantém a esperança de um futuro mais estável para sua propriedade e para os produtores de Alto São João.

*Redação/Daiara Souza

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