Tabaco é aposta de renda para família de produtores do Guamirim, em Irati

Desde 2013, o Paraná comemora no dia 28 de outubro o Dia Estadual do Fumicultor a partir da Lei Lei 17729/2013 proposta pelo deputado estadual Anibelli Neto. A data também refere-se ao Dia Mundial do Produtor de Tabaco.

Na região de Irati, a cultura está presente em todos os nove municípios que compõem o núcleo regional, e em alguns, se destaca pela importância no setor agrícola local. Em Irati, por exemplo, o Valor Bruto da Produção (VBP) do fumo em 2021 foi de R$95.784.203,12, ficando em terceiro lugar no ranking municipal e na sétima posição a nível de estado. A participação do tabaco no VBP do Município foi de 10,13%. 

O produtor Gilson Klosovski (30 anos), da localidade de Guamirim, em Irati, é um exemplo do perfil do fumicultor da região, que apesar das dificuldades em levar adiante a cultura, continua apostando e produzindo. Aliás, Gilson atua na produção de tabaco desde muito jovem, quando começou a auxiliar o pai nas lavouras. “Comecei a trabalhar com o tabaco desde meus 15 anos junto com meu pai. Com 23 anos casei e agora estou produzindo em média 6000 kg por ano. Planto 40 mil pés”, contou ao Agro Regional.

Nos últimos anos tem se incentivado a diversificação das propriedades produtoras de tabaco, mas o cultivo ainda é uma saída para quem não tem tanta área livre. No caso de Gilson, a propriedade pertence ao seu pai e nela também trabalha seu irmao. “Hoje dependo muito da cultura do tabaco, sou arrendatário do meu pai, não possuo terras. Por isso é a cultura mais viável para mim, pois com pouca terra posso fazer uma boa produção”.

Na opinião do produtor, os fumicultores enfrentam dificuldades sobretudo por não ter ajuda financeira do governo. “Estamos esquecidos no Brasil com muita gente que é contra essa cultura. Um dos maiores desafios é a colheita que é toda manual e por ser no período mais quente do ano, e também que estamos a mercê do tempo correndo risco de granizo e vendavais”, pontuou. 

Segundo ele, apesar da falta de apoio governamental à cultura e a dependência climática, vislumbra um futuro positivo em relação à continuidade no setor. “A minha perspetiva para o futuro é que sejamos valorizados com um preço mais justo por nosso trabalho e que tenhamos uma vida mais digna, que possamos dar mais conforto a nós e aos nossos filhos”, comenta o produtor. 

REGIÃO

O relatório do Departamento de Economia Rural (Deral) de Irati sobre o VBP de 2021 aponta que o núcleo é o maior produtor de tabaco do Paraná. Dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) mostram que em 2021 o NR Irati foi responsável por 32,5% de toda a produção paranaense. O fumo foi o segundo produto com maior expressão econômica no NR, ficando atrás somente da soja.

A cultura gerou R$555,2 milhões em VBP, correspondendo a 10,80% do total gerado no NR de Irati. De 2020 para 2021 houve um crescimento nominal de 17,9%.

Em relação aos municípios que compõem essa região, alguns são destaques pela produção e pela representatividade na economia agrícola local. Rio Azul, por exemplo, é o município com maior produção dentro do núcleo, com 7.825,00 ha em 2021 e 17.410,63 toneladas. 

Em representatividade econômica no VBP de 2021, Guamiranga lidera entre as nove cidades. O tabaco é a cultura que mais gerou receita, somando R$ 75.410.407,07 e ficando com a maior fatia (31,08%) do valor total arrecadado pelo setor agropecuário do município. 

*Daiara Souza/Redação

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