Produtores de hortifrúti são exemplo de empreendedorismo rural em Turvo

Turvo, distante cerca de 40 km de Guarapuava tem nas lavouras e na pecuária os principais produtos do Valor Bruto de Produção (VBP) municipal. No entanto, há ainda muito espaço para outras atividades, e nelas, o desenvolvimento do empreendedorismo rural.

Um exemplo é o casal de jovens produtores Mateus do Nascimento (27 anos) e Madlayne Krichak (24 anos). Ambos formados em agronomia, decidiram investir em uma produção própria de hortaliças e morangos.

“A nossa propriedade fica às margens da PR 466, a 5km da cidade de Turvo, na comunidade de Dodge. Eu nasci e fui criado aqui, tendo contato direto com a agricultura e pecuária”, conta Mateus. Já Madlayne quando criança morava na cidade, mas tinha um contato direto com o campo graças a produção de hortaliças que o pai mantinha no sítio da família. “Eu sempre estava com ele ajudando. Quando ele começou a plantar as hortaliças eu vi e passei a gostar. Ele é um exemplo para mim. Eu sempre vi o amor que ele trabalhava com isso e eu também queria ter esse amor. Foi aí que despertou meu amor pelas hortaliças’, contou a produtora ao AgroRegional.

Os dois se conheceram enquanto trabalhavam prestando assistência técnica para produtores através da Prefeitura. “Lá tive a oportunidade de conhecer um pouco mais do nosso município com os trabalhos de extensão rural e assistência técnica, onde pude observar o potencial que o município possui na produção e comercialização de HF”, comenta Mateus. A produtora também lembra com carinho dos agricultores. “Era um trabalho que eu gostava muito. Conversar com o produtor, ir até a propriedade, aprendi muito com eles”, afirma a jovem.

INÍCIO

Em 2020 o casal começou a fazer delivery de hortaliças, com o excedente de produção do pai de Madlayne, o agricultor Renato. “Toda semana, montavamos um kit com hortaliças da semana, e entregávamos de porta em porta no sábado pela manhã. Esses kits eram diferentes, toda semana variando”, explica Mateus.

Conforme Madlayne, todas as vendas eram pelas redes sociais, o que motivou os jovens a fomentar essa forma de comércio. “A gente viu a necessidade de fazer um instagram, o MM Hortifruti. Aí a gente começou a ter um canal de venda mais fácil”.

No mesmo período eles começaram a atender os mercados da cidade, mas um acidente de trânsito colocou uma pausa nos planos do casal que decidiu adiar alguns projetos, dentre eles o da produção de morangos. Porém, no ano passado eles conseguiram iniciar a produção e já realizaram uma colheita no final de 2022. “Hoje toda nossa produção de morango, é comercializada aqui no município de Turvo. Temos duas opções de bandejas sendo de 0,600 e 1 kg. Os morangos que não atingem os padrões comerciais, acabam virando uma deliciosa geleia, que são comercializadas em potes de 300g. Com isso, quase todo morango produzido é aproveitado”, destaca o produtor Mateus.

“Nosso morango é doce, é maduro. No mercado o produtor tem que colher um pouco antes, quando está um pouco verdinho ainda por conta do tempo de prateleira. É essa a diferença. A gente colhe na quarta e sexta, então na quarta a gente colhe de manhã e já entrega a tarde, na sexta a mesma coisa”, disse Madlayne.

PRODUÇÃO

Além da fruta, os produtores seguem produzindo hortaliças, atendendo os mercados institucionais, como a merenda escolar, além dos principais supermercados, bares e restaurantes da cidade. “Também estamos na feira de produtor rural, que é desenvolvida pela Prefeitura de Turvo, e acontece toda quarta-feira na Praça 31 de outubro”, frisa Mateus.

Na propriedade eles produzem a alface crespa e a americana, brócolis, couve flor e repolho, além de salsa, cebolinha, pimentão, pepino, acelga, couve, chuchu, tomate, entre outros. “A nossa mão de obra hoje é quase toda familiar. A minha mãe, dona Ana, com seus 71 anos sempre nos ajuda com a colheita, e é ela que tem a receita da deliciosa geléia de morango. E sempre que possível, os meus sobrinhos Luiz Henrique, Lucas e Francisco nos ajudam com as tarefas”, comentou Mateus.

Para o produtor, o principal desafio esse ano foi o excesso de chuvas registrado até aqui. “As altas umidades fazem com que as hortaliças cresçam menos, percam cor e até apodreçam, e isso foi sentido nos principais mercados consumidores da região. Por estarmos próximos a cidade, isso facilita muito a nossa logística de comercialização, ajudando assim a diminuir o custo de produção”.

Ele comenta que sente falta de uma central de distribuição ou mesmo uma cooperativa no município. “Podemos ter uma produção de forma ordenada, um local de recebimento e distribuição, a fim de agregarmos mais valor aos nossos produtos, aumentando assim a rentabilidade”, finaliza Mateus.

*Reportagem: Daiara Souza

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