Uma vida dedicada ao campo: produtor avalia a agricultura de ontem e de hoje

Com 73 anos de idade, o agricultor Alberto Naimann, de Irati, segue atuante na lavoura e presenciou grandes mudanças na agricultura ao longo dos anos “Eu nasci na agricultura, cresci na agricultura e estou na agricultura até hoje”. É o que destaca o morador da comunidade do Pirapó que está na comunidade desde 1952.

O AgroRegional conversou com Alberto, pessoa conhecida pelo trabalho no campo, e ele contou como vem percebendo a agricultura desde que começou a trabalhar na lavoura. “Passamos muita dificuldade no começo porque era tudo na base do braço, não tinha máquina, não tinha nada. Era nos cavalinhos, na base do braço e assim nós íamos, com chuva, com sol, com frio e peleando”, lembrou sobre o início enquanto trabalhador rural.

Hoje, ele lamenta que os custos de produção estejam tão altos a ponto de deixar o agricultor muitas vezes sem uma alternativa de cultura que traga mais rendimento no campo e no bolso. Mas, segundo Alberto, por ser mais resistente aos problemas climáticos, a soja é a aposta. Ainda assim, ele comenta que o preço não está ajudando o produtor. “Está muito baixo, está ruim porque os insumos subiram demais. Há uns tempos nós vendíamos a R$70, R$80, e o saco de adubo estava R$50, R$45. Hoje, nós estamos vendendo a soja a R$178, R$180, mas o adubo está R$250. Precisa de dois sacos de soja para comprar um de adubo”, explica.

Mas, para além dos problemas, o produtor também acompanhou as novidades que foram surgindo, como o uso de maquinários e o que na visão dele foi algo muito importante, o plantio direto. “No convencional a água estragava muito os terrenos. Fazia muita erosão. O plantio direto diminui muito isso. Foi uma tecnologia muito boa”.

FEIJÃO 

Para o produtor, em questão de produção, o feijão, até um tempo atrás, era uma saída para os pequenos agricultores, mas ele percebe que isso também mudou. “Eu sou médio para baixo, somos pequenos produtores, então era uma alternativa porque você fazia duas safras no ano, plantava uma e mais uma safrinha. Esse ano, a seca judiou na primeira, tinha preço. Daí quando nós plantamos na segunda safra, que produziu melhor, o preço caiu lá embaixo. Hoje, o preço está a R$180 reais o saco e o adubo está R$250 até R$300 o saco”, pontua.

Na primeira safra de feijão ele perdeu por causa da seca, onde colheu apenas 25 sacos por alqueire. Pouco demais perante os custos, de acordo com ele. 

Ele acredita que a lavoura está ficando muito cara e a produção dependendo cada vez mais do clima. “Nos últimos anos, um ano, dois anos, três anos atrás, sofremos bastante. No ano passado, a safra ainda foi um pouco melhor, mas essa de agora, no início quem plantou soja precoce sofreu muito com a seca e produziu pouco. E quem plantou soja normal, que é um pouquinho mais tardia, sofreu com a chuvarada na colheita”. 

Alberto teve prejuízos devido a questão da chuva. Segundo ele, a soja apodreceu e  não teve como colher. “A máquina não entrava e a soja foi apodrecendo na roça. Umas cargas não tinha nem onde entregar porque ninguém queria receber porque estava ardida. Então isso aqui é um prejuízo pra gente”.

TRABALHO

A atividade rural não é realizada somente por Seo Alberto. Junto com ele trabalham dois filhos, um tirando leite e cuidando dos animais e o outro na roça. Conforme Alberto, o filho que atua na lavoura sofreu um acidente em uma colheitadeira e acabou perdendo uma perna. Hoje ele utiliza uma perna mecânica, mas apesar disso, segundo ajudando. “Está trabalhando, não para. Trabalhamos juntos”, contou. 

E parar não parece ser um dos planos de Alberto, pelo menos não agora. “Nós não podemos parar porque não sabemos fazer outra coisa. Temos que continuar plantando. Nós temos que plantar um pouco de cada coisa pra ver, se não se sai em uma, pode se sair em outra. É assim que o pequeno produtor vive. Sempre na expectativa de melhorar. A esperança é que melhore para a nova geração que está evoluindo também”, concluiu o agricultor. 

*Redação/Daiara Souza

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