Secretário de Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara fala com exclusividade ao AgroRegional

À frente da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara concedeu uma entrevista exclusiva ao Boletim AgroRegional, em que destacou o impacto das adversidades climáticas na produção paranaense, mas também os pontos positivos de 2021.

Em números apresentados ao Jornal, Ortigara mostrou o prejuízo financeiro gerado pela instabilidade causada pelo La Niña. “O ano de 2021 não foi muito pródigo conosco não. Tivemos o segundo ano de uma estiagem, de uma crise hídrica profunda, o Estado decretou emergência. E nós perdemos bastante, foram nove milhões de toneladas de milho, por exemplo, na safrinha”, pontua.

Essa quebra na safra afetou outros setores do agro, encarecendo a produção de suínos, frango, leite, peixe e até mesmo de ração para cachorro e gato. “Imaginávamos que tínhamos escapado disso. Porque o produtor fez uma instalação da safra 21/22 no fim de agosto e setembro, num bom ambiente, com até uma boa umidade, temperaturas muito favoráveis. Só que isso acabou se perdendo na instabilidade proporcionada pelo La Nina”, comentou.

PERDAS

Ao apresentar os valores que deixaram de ir para as mãos dos agricultores em face da baixa produtividade, o secretário explica que o valor é equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. A estimativa da Seab é de uma perda de R$ 25 a 30 bilhões de reais. “É uma perda cavalar de soja, de mais de oito milhões e cem mil toneladas. A planta até está bonita em muitos locais, mas, quando abre plantação tem dez, quinze vargens com grão miúdo que não vale a pena colher. Nós perdemos também o esforço de termos aumentado a área de milho na Primavera depois de 43 anos, já perdemos o produto na roça, não dá nem silagem, uma quebra em torno de 36% da produção”, lamenta Ortigara.

Na região de Irati, houve perdas significativas para os produtores de fumo, fato que foi lembrado pelo secretário Ortigara. “Perdemos tabaco, bastante, pé pequeno, folha curta, folha leve, vai dar pouca produção”. Para ele, o ambiente no agro em 2021 foi bastante hostil e deve impactar financeiramente os agricultores, sobretudo, aqueles que não tem seguro e que estão com medo de apostar nas safras de feijão e milho.

PONTOS POSITIVOS

Apesar da situação preocupante e que começa a mostrar os resultados negativos da seca, o Paraná tem motivos para comemorar. No ano passado, o Estado teve um crescimento de 13.9% nas exportações em dólar. Segundo Ortigara, o agro paranaense exportou mais de 15 bilhões de dólares ano passado, representando 12.6% no agro brasileiro. “85% de tudo que a gente vendeu para o mundo aqui do Paraná foi fruto da roça, da terra, de gente que produz, da nossa agroindústria. Exportamos menos soja e menos milho. Mas, em compensação, exportamos mais carne de porco, os cortes valorizaram e nós crescemos em produção suína pelo menos 15.6%. Isso já sinaliza que a conquista de área livre de Febre Aftosa pode impactar ainda mais positivamente o setor”, declarou.

2022

Há poucos dias de fechar o primeiro mês de 2022, o secretário avalia que o ano será desafiador, principalmente, pela crise hídrica. Em contrapartida, tem expectativa de um bom ano e de recuperação. Ele garante que a Seab tem trabalhado para proteger os agricultores. “Decretamos aqui o estado de emergência, mas decretamos também a continuidade da emergência hídrica. Destacamos a atenção à necessidade de fazer plantio direto de qualidade, entre outras questões que envolvem a sustentabilidade, e que o mundo exige da gente. E se nós quisermos continuar como supridores de mais de 170 países, temos que fazer bem a nossa parte, a favor do nosso negócio. Enfim, um ano bom, em que esperamos poder recuperar parte dos prejuízos havidos na safra de Primavera Verão. Fazendo quem sabe uma grande safrinha de inverno”.

Os investimentos no setor da agroindústria é outro ponto que anima o secretário para este ano. Em diferentes regiões do Estado estão sendo construídas e/ou ampliadas plantas que vão atender a demanda de produção de diferentes produtos. Em Ponta Grossa, por exemplo, uma nova malteria deve alavancar a cevada. Novos frigoríficos, fábricas de queijo, leite em pó e novos produtores entrando no mercado de peixe, são vistos como um bom sinal para o agronegócio paranaense. “Um ano em que a gente tem coisas ruins que fazem parte da nossa dinâmica, porque nós fazemos a maior parte das coisas a céu aberto, sem proteção. Somos uma atividade biológica, portanto, sujeita a esses riscos de praga, doença, do clima. Mas, por outro lado, nós nos posicionamos como um bom fornecedor para o mundo”, diz.

Agora, o desejo é de propiciar ao agricultor mais afetado nos últimos anos, a possibilidade de retomar suas atividades na lavoura e pecuária. Para isso, a Seab está em constante conversa com diversas entidades do setor, buscando ferramentas e solicitando junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) um auxílio aos produtores.

“O perfil paranaense nunca foi de chorar muito. Nós sabemos que perdemos, levamos um prejuízo grandioso. A perda é grande, mas nós nunca pedimos, ‘perdoe um centavo’. Queremos condições para se restabelecer, por isso nós fizemos uma carta interessante em conjunto com entidades do setor, solicitando ao Governo Federal agilidade no sentido de por exemplo, liberar rapidamente os seguros, os pró-agros, restabelecer algumas vias de financiamento, para que o produtor possa retomar. Tratar com carinho se possível aqueles agricultores que não financiaram nada, empregando tudo e que estão ficando sem renda”, finaliza.

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