Nova geração de fumicultores mantém tradição e mira modernidade

A região de Irati tem grande relevância na produção estadual de tabaco. A cultura foi e ainda é, em muitos casos, a principal fonte de renda dos agricultores. Mas, nos últimos anos, muitos têm deixado a atividade e buscado outras alternativas. Ainda assim, há novas gerações trabalhando na fumicultura.

O jovem produtor rural Patrício Schornei (24 anos) e a esposa Vanessa Gil Fiori são exemplos dessa nova geração de fumicultores. O casal mora na localidade de Pedra Preta em Irati e juntos fazem quase todo o serviço da lavoura. “Desde a semeadura até a comercialização, exceto a colheita que trabalhamos com toda a família”, contou Patrício ao AgroRegional.

Em 2017, Patrício terminou o ensino médio e em seguida começou a trabalhar na fumicultura com o pai, com quem, segundo ele, aprendeu muito. Mas, o contato com a atividade vem desde muito antes. “Desde pequeno, quando via toda minha família cultivando o mesmo, através dele trazendo renda em suas propriedades. O cultivo do fumo entrou em minha família através de meus avôs paternos e maternos, Antônio e Pedro. Hoje ela se encontra em toda a minha família”, comentou. 

Para ele, a fumicultura tem alguns aspectos que se tornam tradição, um deles é o trabalho familiar, de cooperação e de união. “Além de ser uma fonte de economia nas propriedades, todos nos divertimos e vemos que por mais que enfrentarmos dificuldades, a nossa família sempre será nosso bem maior”.

MODERNIDADE

A fumicultura, como muitas outras áreas da agricultura, também se beneficiou enormemente da introdução de tecnologias modernas no campo. Essas inovações são essenciais para impulsionar a eficiência, melhorar a qualidade do produto e aumentar a sustentabilidade da produção.

Segundo Patrício, na região onde mora o trabalho ainda é muito manual, mas ele entende que precisam se adaptar às tecnologias. “Todo trabalho exige serviço braçal, mas acredito que com a chegada da tecnologia, aos poucos, vamos buscando conhecimentos, e assim se adaptar à agricultura moderna”, disse. 

Muitas dessas novidades são essenciais para otimizar a produção e garantir a produtividade. A implementação de tecnologias de monitoramento climático, por exemplo, pode ajudar a controlar as condições ambientais e minimizar os riscos de perdas devido a mudanças climáticas abruptas. “O desafio que o tabaco nos trás como qualquer outra planta é as condições climáticas, por exemplo, a safra 2019/2020 sofremos com a seca, tivemos que molhar pé por pé, esse ano estamos passando por um grande acúmulo de chuvas, o qual poderá interferir em nosso ano safra”, lembrou. 

FUTURO

Na visão do jovem produtor, a valorização dos fumicultores será possível se o olhar para a atividade mudar. “Penso que se cada vez mais olharem positivamente para a cultura do tabaco, buscando entender que ela não é um grande malefício, mas sim acreditando em uma grande fonte de renda em pequenas propriedades, assim os produtores serão mais valorizados. Hoje, eu como um jovem agricultor, vejo que são poucos os que desejam permanecer na área rural. Com a presença dos jovens que ainda optam por ficarem em suas propriedades, teríamos cada vez mais uma agricultura evoluída e sustentável”, afirmou Patrício. 

*Redação/Daiara Souza

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