Família de Foz do Jordão investe em agroindústria de queijos e amplia produção

O ano de 2023 começou com um sonho sendo realizado pela família Bordin de Foz do Jordão, na região de Guarapuava. Moradores da comunidade Arroio dos índios, o casal Maristela e Luiz Carlos inauguraram em janeiro uma agroindústria de queijos na propriedade após orientação do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-PARANÁ).

O Boletim AgroRegional esteve na queijaria que leva o nome de São José e acompanhou como ocorre o processo de produção. De acordo com Maristela, a renda da família hoje vem quase totalmente da pecuária, especialmente, na venda de leite e do queijo. Ela produz o colonial, no vinho e com ervas finas e possui o SIM, que é o Selo de Inspeção Municipal.

“Eu nasci aqui, aí eu morei 11 anos fora, ele [o marido Luiz] era encarregado de escavação subterrânea e eu acompanhava ele. Faz cinco anos que cheguei na propriedade do meu pai e decidi ficar. Comprei as vacas da minha mãe, comecei a tirar leite e foi aumentando a produção e aí veio a ideia de fazer a agroindústria”, comentou sobre o início da atividade.

Inicialmente ela fazia os queijos em casa, mas o aumento da procura pelo produto foi um sinal para investir na queijaria. Para isso, contou com o apoio do engenheiro de alimentos do IDR-PR, Marcelo Barba Bellettini, que vem acompanhando o desenvolvimento de agroindústrias na região. “Eu já queria montar a queijaria e eu pensei, é com esse mesmo que vou conversar, ele vai me dar o suporte que eu preciso. O Marcelo veio, trouxe o projeto, conversamos”, destacou a produtora. 

Conforme o profissional do IDR, apesar de entregar um modelo da agroindústria, os próprios produtores sugeriram mudanças. “O trabalho do IDR-PARANÁ é justamente acompanhar os agricultores familiares nas suas necessidades e a Maristela e o Luiz solicitaram, me desloquei até aqui e ouvi o sonho deles e tudo que a gente faz é tentar atender a demanda deles e colocar dentro da lei. Eu trouxe um projeto, uma planta baixa de uma queijaria, de como deveria ser. Eles pegaram esse projeto e fizeram considerações”, afirmou Marcelo. 

A alteração foi a substituição de um banheiro por uma sala de vendas. “Eu já sabia que o pessoal viria aqui para comprar porque eles já vinham antes. Eu pensei, tenho que ter um lugar para receber as pessoas, não podem entrar na sala de produção, e pedi para ele incluir a loja”, explicou Maristela.

Maristela e o marido Luiz na loja da queijaria – Foto: Redação/Daiara Souza

PRODUÇÃO

O casal acorda às 5h da manhã, tira o leite e deixa dentro do espaço da queijaria. Depois, Maristela retorna para casa, que fica ao lado da agroindústria, toma banho e em seguida volta para o local para colocar o leite no tanque e iniciar o processo de produção. Quando é necessário eles contam com ajuda da mãe de Maristela, a produtora Nercinda da Silva Bordin, que também possui uma agroindústria na propriedade, mas voltada para panificação. 

O espaço onde fica a queijaria foi construído por Luiz e um cunhado e conta com cinco salas, o local de produção, o de entrada e armazenamento de ingredientes, o de maturação e o da saída do queijo, além da loja que fica isolada em relação às outras salas. Os produtores também instalaram energia solar no local e pretendem utilizar o leite da propriedade exclusivamente para produção queijeira.

“Os animais eu que acompanho junto com o médico veterinário. As vacas estão há bastante tempo na propriedade, o leite sou eu que tiro, eu sei o que estou levando para dentro da queijaria. O queijo é bom. Eu sei o produto que eu tenho”, apontou a produtora.

Além dos queijos, Maristela produz iogurte com calda de morango. A fruta é adquirida de uma propriedade vizinha, fortalecendo também a produção da comunidade. Aliás, foi o próprio vizinho que cedeu a receita. 

Para o engenheiro Marcelo, a agroindústria da família é uma referência para o Estado. “É mérito do produtor rural. A gente só ajudou a alcançar o sonho deles, quem realmente fez, botou a mão na massa, e dessa vez literalmente, na massa do queijo, foi o casal. Parabéns para eles. O IDR presta esse serviço para todo produtor do estado”, pontuou. 

UNIÃO

Maristela é uma das integrantes da Associação de Produtores de Queijos e Derivados de Leite da Região Centro do Paraná (APROLEQ), que conta com 24 associados, sendo uma delas uma produtora de doce de leite. “A expectativa com a associação é ficar mais forte. Um é um, mas com mais pessoas juntas, se trabalhar certo, o resultado vem”, frisou a produtora, que está inscrita no prêmio Queijos do Paraná com o colonial e no vinho. 

O curso citado por ela foi realizado no ano passado entre outubro e novembro com oito módulos. O objetivo foi qualificar a cadeia produtiva e auxiliar na agregação de valor e qualidade da produção. Em abril ocorre a segunda etapa, mas desta vez, apenas com os associados da APROLEQ.

*Reportagem: Redação/Daiara Souza

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *