Casal de Irati deixa vida na cidade para trabalhar com a pecuária leiteira

Desde o final de 2020 a vida de Marilei Roik Less e Giuliano Less mudou completamente de rotina. Os dois viviam na área urbana e por uma série de fatores decidiram mudar de ambiente. Ela já tinha experiência no meio rural, onde nasceu e cresceu, mas ele nunca tinha trabalhado com o agro.

Em entrevista ao Boletim Agro Regional, a pecuarista Marilei conta que quando ela e o marido decidiram ir morar no interior, ela estava no auge da carreira como coordenadora de serviços cooperativos. Giuliano é engenheiro florestal.

No distrito de Gonçalves Júnior, eles moram no Sítio do Zé, propriedade dos pais de Marilei. “Eu fui transferida na empresa que eu trabalhava para Ponta Grossa. De Irati para Ponta Grossa não tem muita diferença, mas o custo de vida é diferente. Tudo você compra, você não planta no quintal como é no meio rural. Um dos pontos é a qualidade vida, custo de vida e o principal motivo é que meu pai foi diagnosticado em 2019 com Alzheimer, hoje ele está com 75 anos, minha mãe com 70”, contou sobre os motivos da mudança.

Observando a necessidade de estar perto para cuidar dos pais ela decidiu que levá-los para a cidade não seria uma opção. “A gente via que se a gente tirasse eles da zona rural, a qualidade de vida deles poderia ser bem diferente. A gente optou por cuidar deles. E como a propriedade é pequena, a gente achou que seria viável trabalhar com o leite”.

Ela também destaca que os pais José e Helena são o grande exemplo para estar atuando na pecuária leiteira. “Sempre tem um conhecimento novo que eles passam no sentido de como era antes, como é hoje, como às vezes um conhecimento lá de antigamente faz diferença”.

LEITE

O casal começou com seis vacas e atualmente são 32, sendo 20 em lactação. Segundo Marilei, a opção foi pela raça Jersey. “Elas são de produção um pouco menos em relação às holandesas, mas o que a gente estudou muito para ser viável é que o mercado hoje tem seus benefícios por quantidade, mas o mercado hoje exige qualidade”.

A vida nesses dois anos com o leite tem sido bem diferente de quando trabalhavam em empresas. Para a produtora, apesar da intensidade das atividades, o resultado vale o esforço. “O trabalho com a pecuária leiteira é bem puxado, de segunda a segunda. Mas sabe aquela satisfação quando você tem uma vaca que pare, aquele bezerrinho pequeno que você vai dar o primeiro leite, quando você vê a novilha crescendo, as vacas pastando, o resfriador cheio de leite, a qualidade, tudo isso é gratificante”, destaca Marilei.

A expectativa da família é que os bons resultados continuem, e para isso, esperam que o preço se mantenha em um bom patamar e que os custos diminuam. Marilei está atenta no mercado, com as altas deste ano e as quedas dos últimos dois meses.

OUTRO LADO

Apesar de ter vivido na cidade por bastante tempo, as atividades da produtora sempre foram ligadas ao agronegócio. Ela afirma que conseguiu observar o setor das duas formas, a partir do olhar do produtor e do mercado. “Eu trabalhei em uma fumageira, então a gente plantava fumo e eu fui conhecer o outro lado. Na época meu pai comprou um trator e por último meu trabalho foi numa empresa de máquinas agrícolas. Eu sempre tive ligação com a área que a gente atua hoje”.

Mesmo não sendo uma novidade para Marilei, o casal buscou conhecimento antes de iniciar, já que Giuliano não tinha experiência na área. “Para ele foi tudo novo, só que quando a gente tomou a decisão de vir morar pra cá, com meus pais, a gente viu que teria que voltar pra zona rural, mas voltar com conhecimento. Hoje pra você voltar, você tem que ter conhecimento da área que você quer trabalhar”, garante.

Além disso, o que ela aprendeu em anos de serviços prestados às empresas está utilizando na propriedade. “Eu tenho uma bagagem muito grande de conhecimento que foi das empresas e que eu vejo que consigo aplicar aqui na propriedade. Organização, trabalhar com as contas, organizar planilhas, fichas dos animais, vacinas, controles”.

*Daiara Souza/ Redação 

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