Notícias

Energia que refrigera estádios da Copa do Mundo no Catar aquece também aviários no Paraná

COLUNA - Confira o artigo de Carlos Guimarães Filho, Jornalista especializado em agronegócio

 

Faltam menos de dois meses para o início da Copa do Mundo no Catar. No dia 20 de novembro, a bola vai rolar para as seleções do Catar e Equador, no estádio Al Bayt. A partir dali, ao longo de quase 30 dias, serão 64 jogos disputados em oito estádios. A capital Doha e as demais cidades que abrigam as estruturas estão localizadas no meio do deserto, onde a temperatura vai bater, facilmente, os 40 graus (esse é o motivo da realização da Copa do Mundo no final do ano, ao invés de junho e julho, quando a temperatura ultrapassa os 50 graus).

 

Pensando no conforto e bem-estar de jogadores, comissões técnicas e milhares de torcedores, os oito estádios contam com ar condicionado. Mais que isso, os sistemas de refrigeração são praticamente individuais, sendo que o ar sai por baixo de cada cadeira do torcedor. Há também espécies de canhões que jogam o ar frio para o campo. A promessa é que os estádios mantenham a temperatura de 21 graus, ideal para o bom desempenho dos atletas em campo. O sistema de ar condicionado vai ser ligado três horas antes das partidas, tempo necessário para resfriar o estádio.

 

Para garantir toda a energia para o funcionamento dos sistemas de refrigeração, uma fazenda de painéis solares foi construída especialmente para a Copa do Mundo. Ela tem capacidade de gerar dez vezes a energia necessária para abastecer os oito estádios. Atualmente, a energia solar é responsável por 10% da matriz energética do Catar, enquanto que o gás natural é a principal fonte.

 

Se a energia solar vai garantir o conforto de milhares de torcedores urbanos durante a competição de futebol, a mesma fonte tem sido utilizada para aquecer milhares de aviários e granjas no Paraná. O uso deste tipo de energia limpa tem conquistado produtores rurais, que buscam minimizar os impactos ao meio ambiente e também reduzir o custo de produção. Afinal, a energia produzida pelos painéis solares é bem mais barata que a elétrica.

 

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), até o início deste ano, o Paraná contava com mais de 3,8 mil usinas fotovoltaicas dentro de propriedades rurais, espalhadas por 352 municípios (vale lembrar que o estado tem 399 cidades). Toda essa energia gerada em áreas rurais é suficiente para atender, por exemplo, Londrina, a segunda maior cidade do Paraná, com população superior a 570 mil pessoas.

 

O que é e como funciona a energia solar?

 

Apesar de o Catar estar no meio do deserto, com alta incidência da irradiação, o território paranaense tem melhor aproveitamento para produção de energia solar. Isso porque, no país da Copa do Mundo de 2022, os painéis solares precisam de manutenção constante por causa da poeira e das tempestades de areia. Ou seja, há a necessidade de limpeza para que os materiais tenham o aproveitamento adequado.

 

Por outro lado, o Paraná tem um elevado potencial para geração de energia solar fotovoltaica. O estado possui, em média, irradiação 43% maior que a Alemanha, 55% a mais em relação ao Reino Unido e 18% superior que a França. A energia solar utiliza painéis que captam a luz e o calor do sol e os transformam em eletricidade.

 

Energia limpa e emprego

 

Além de conquistar usuários, as energias limpas também têm atraído trabalhadores. De acordo com o levantamento da Agência Internacional de Energia (AIE), 56% dos empregados do setor de energia em todo o mundo fazem parte do segmento de energias limpas. Ou seja, quase 40 milhões de empregos no planeta estão envolvidos com, por exemplo, instalação de painéis solares e torres eólicas e a fabricação de veículos elétricos e biocombustíveis. Essa quantidade deve aumentar mais 14 milhões de vagas até 2030.

 

Com certeza, parte deste exército está envolvida com a fazenda de painéis solares do Catar e também com os aviários e granjas do Paraná.

 

*Carlos Guimarães Filho

 

Jornalista especializado em agronegócio, há mais 10 anos focado em produção de conteúdo sobre o tema. Foi repórter e editor na editoria de Agronegócio da Gazeta do Povo e, atualmente, é o coordenador de Comunicação da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).

Comentários

Quer ficar por dentro de todas as notícias? Entre no nosso grupo do whatsapp: