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Artigo: Tinha uma pedra no meio do caminho…da BR-277

O Porto de Paranaguá é uma das principais portas de saída da produção brasileira, para e gerar renda e empregos à sociedade, além de impostos aos governos estadual e federal

Ágide Meneguette

Se fosse nos dias atuais, poderíamos sugerir que a BR-277 serviu de inspiração ao escritor Carlos Drummond de Andrade, quando escreveu o poema “No Meio do Caminho”. Isso porque o fragmento “No meio do caminho tinha uma pedra / Tinha uma pedra no meio do caminho” converge com a realidade do trecho da rodovia que liga Curitiba ao litoral, já que os motoristas precisam transitar em meia pista desde 14 de outubro de 2022, quando um desmoronamento atingiu o km 42.

 

Às vésperas de completar seis meses da primeira interdição (depois vieram outras tantas ocorrências), quase nenhuma medida efetiva ocorreu para solucionar a questão. E na proporção inversa da agilidade (ou a falta dela) dos responsáveis pelas soluções, está o aumento dos dissabores enfrentados pelo setor agropecuário do Paraná e mesmo de outros Estados. Afinal, o Porto de Paranaguá é uma das principais portas de saída da produção brasileira, para ganhar o mundo e gerar renda e empregos à sociedade, além de impostos aos governos estadual e federal.

 

Hoje, diante dos incontáveis acidentes geológicos registrados na estrada BR-277, podemos cravar que os setores que compõem a economia do Paraná, como o agronegócio, estão à mercê de uma briga política, que pouco agrega ao Paraná. Fato é que os problemas enfrentados pelos motoristas que transitam pela rodovia só serão solucionados com o retorno do pedágio. É nítido que o poder público, seja estadual ou federal, não tem capacidade para administrar as nossas rodovias, tamanho o abandono desde novembro de 2021, quando se encerraram as concessões do Anel de Integração.

 

Desde então, não há manutenção, ambulâncias, serviços de guincho e sinalização. Por outro lado, sobram buracos, mato alto, engarrafamentos, ocorrências geológicas e até, pasmem, afundamento do pavimento. Um retrato do descaso por parte da gestão pública que, apesar dos 25 anos que teve para se preparar para renovar a concessão do pedágio, preferiu esperar, para usar como propaganda política o término da cobrança, e hoje se encontra acuada, batendo cabeça diante das intempéries geológicas. Vale deixar registrado que diversas entidades do setor produtivo, inclusive a FAEP, desde 2018, se posicionaram contra o plano do governo do Paraná de abrir as cancelas de pedágio. Na época, defendemos que fossem firmados aditivos de contrato com as concessionárias a fim de garantir a continuidade do pedágio até nova licitação.

 

A administração das rodovias no Paraná precisa retornar, de forma urgente, para a mão da iniciativa privada, como acontece em diversos lugares do mundo. Entregar a gestão das estradas para empresas especializadas, que contem com profissionais qualificados, geólogos e engenheiros monitorando as pistas e as encostas e a oferta de serviços primordiais, como ambulâncias e guinchos. Já se passou um ano e meio do fim das concessões, sendo que quase seis meses contabilizando acidentes geológicos, sem uma solução, apesar dos problemas gerados aos motoristas, empresas, setores produtivos e economia. Drummond que me desculpe, mas precisamos tirar a pedra do meio do caminho.

 

Texto: Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR

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